23 de maio de 2009

Madeira:Presidente da Assembleia da República em missão de soberania e de estudo às Ilhas Selvagens

Funchal, 23 Mai (Lusa) - O presidente da Assembleia da República efectua terça-feira uma “visita de estudo” e “missão de soberania” às Ilhas Selvagens, o sub-arquipélago da Região Autónoma da Madeira que é o território mais a sul de Portugal.

Jaime Gama desloca-se a bordo da fragata da Armada Portuguesa “Bartolomeu Dias” acompanhado por deputados da Comissão de Defesa Nacional da AR, designadamente Júlio Miranda Calha, Correia de Jesus, João Rebelo e António Filipe.

Aquele sub-arquipélago, situado a 250 quilómetros da Madeira e a 165 a norte das Canárias, é constituído por duas ilhas principais - a Selvagem Grande, a Selvagem Pequena e o Ilhéu de Fora - e várias ilhotas, tendo têm uma área total de 273 hectares.

Foram questões relacionadas com a sua constituição e localização geográfica que levaram o estado espanhol a violar várias vezes o espaço aéreo com voos de aeronaves, situação que “obrigou” Portugal a fazer missões consideradas “de soberania” aquela parcela do território.

A sua proximidade com as ilhas Canárias provocou em tempos uma acesa discussão sobre a Zona Económica Exclusiva, tendo Espanha, com base na interpretação de leis internacionais considerado que as Selvagens eram ilhéus pelo que não podem envolver uma Zona Económica Exclusiva de 200 milhas, enquanto que Portugal manteve que eram ilhas.

As Selvagens receberam assim visitas de uma missão do Conselho da Europa (Outubro de 1991), da Comissão de Defesa Nacional em 1997 e deslocações oficiais de dois Presidentes, Mário Soares (1993) e Jorge Sampaio (2003)

Fonte do gabinete de Jaime Gama disse à Lusa que esta visita se integra neste objectivo de reafirmação de soberania, estando também relacionada com o facto de Portugal ter entregue no passado dia 11 de Maio, em Nova Iorque, nas Nações Unidas, a sua proposta de extensão da plataforma continental.

Este projecto português é acompanhado por outros do Brasil, Guiné-Bissau e Cabo Verde que, se for aceite, duplicará a área sob jurisdição portuguesa, estendendo-a até aos 3,6 milhões de quilómetros quadrados.

O governo português considera que este processo “é tão importante como foram os descobrimentos”, classificando-o de “descobrimentos do século XXI”.

Na visita do presidente da Assembleia da República participam ainda o chefe de Estado-Maior da Armada, almirante Melo Gomes e o secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, Manuel António Correia.

Jaime Gama passará o dia naquele local, regressando a Lisboa de avião.

As Ilhas Selvagens são consideradas um pólo de biodiversidade terrestre e marinha e constituem uma Reserva Natural, que integra o Parque Natural da Madeira), criada em 1971, sendo uma das mais antigas de Portugal, galardoada com o Diploma Europeu do Conselho da Europa, fazendo parte dos Sítios de Importância Comunitária na Rede Natura 2000.

Assumem grande importância ao nível da flora - das 105 plantas vasculares distintas, 11 são endémicas - e da fauna, sendo um santuário de nidificação de aves marinhas.

Nestas ilhas existe a maior colónia de Cagarras do mundo, ave que esteve em perigo de extinção, de Calcamares, de Pintainhos, da Alma Negra, Roque de Castro, entre outras, e nelas vivem ainda vertebrados (osga e lagartixa) e insectos considerados únicos daquelas ilhas assim como cardumes de moreias, peixe-cão, garoupa, charuteiras.

As Ilhas Selvagens pertencem ao concelho do Funchal, freguesia da Sé, estão sob a tutela do Parque Natural da Madeira que ali faz permanecer, de 21 a 21 dias, dois vigilantes da natureza, e têm ainda a colaboração do Comando da Zona Marítima da Madeira.

São conhecidas desde o século XIV (cartografia), mas é a Diogo Gomes, navegador do Infante D. Henrique, que é dado como sendo o seu descobridor oficial, entre 1451 e 1456.

Do senhorio de D. Infante D. Henrique, passou para a Coroa, desta para a propriedade privada que se manteve até 1971, data em que foram adquiridas pelo Estado português por 1500 contos.

Em fase de reformulação está também um processo de candidatura das Selvagens a Património Natural da Unesco.

14 de maio de 2009

Presidente do Parlamento e os deputados da Comissão de Defesa Nacional
Gama nas Selvagens
O Presidente da Assembleia da República e os deputados da 3ª Comissão, de Defesa Nacional, daquele Parlamento, deslocam-se, a 25 e 26 de Maio, às Ilhas Selvagens. A viagem, confirmada por fonte da presidência da Assembleia da República, acontece, em princípio, a bordo da nova fragata da Armada, a «Bartolomeu Dias», que fez a sua primeira escala em Lisboa há cerca de um mês. A visita da Comissão presidida pelo deputado socialista Miranda Calha, acontece pela segunda vez, tendo em conta que em meados dos anos noventa do século passado, houve também uma deslocação daquela estrutura parlamentar, na altura presidida pelo madeirense Correia de Jesus.
O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama e os deputados da Comissão de Defesa Nacional visitam as Ilhas Selvagens nos dias 25 e 26 de Maio.

Os parlamentares deslocam-se, previsivelmente, a bordo da mais nova fragata da Armada Portuguesa, a «Bartolomeu Dias», que fará a sua primeira «aparição pública» no próximo dia 20 de Maio, Dia da Marinha, que este ano tem as comemorações centradas em Aveiro. 

Apesar de a fonte da presidência do Parlamento liderado pelo açoriano Jaime Gama ter adiantado pouco a propósito do teor da visita, é previsível que esta aconteça pelo facto de, cada vez mais, assumir primordial importância a soberania nacional no extremo sul de Portugal, com as ilhas a serem, muitas vezes, visitadas pelos pescadores espanhóis e mesmo embarcações de recreio. 

De qualquer forma, as visitas, sobretudo as feitas por aviões militares espanhóis, foram assumidas como uma afronta aos interesses portugueses e, sobretudo, regionais, em acontecimentos que levaram, inclusivamente, a reuniões entre os presidentes dos governos regionais da Madeira e de Canárias e depois entre Lisboa e Madrid. 

As Selvagens já receberam a visita de dois presidentes da República e de várias personalidades importantes, como o duque de Edimburgo e do conhecido investigador Jacques Cousteau, que disse que aquelas eram as águas mais límpidas que vira até então.

In: Jornal da Madeira

Nota: Esta visita decorre na sequência de uma sugestão nesse sentido apresentada pelo autor deste blog junto de deputados da Comissão de Defesa Nacional da Assembleia da República sendo que o mesmo não fará parte da delegação da Assembleia da República.

2 de maio de 2009



A Zona Económica Exclusiva -

Um Modelo de Gestão


Por: Almirante Alexandre da Fonseca

  1. PRÓLOGO

Queria começar por agradecer à Comissão D. Carlos-100 anos, a oportunidade que me dá de aqui estar, não só para vos falar sobre a Zona Económica Exclusiva, mas também para aprender com tantos especialistas nas temáticas do Mar, aqui em boa hora reunidos, e para o fazer na nossa língua materna.

  1. INTRODUÇÃO

A opinião pública associa a Zona Económica Exclusiva, a ZEE, a uma vasta extensão de mar, que nos pertence, inexplorado, e contendo inesgotáveis riquezas. Esta percepção, não sendo totalmente incorrecta, peca contudo, por ser algo exagerada. As ZEE's são vastas áreas de mar que em costa aberta se estendem das praias até às 200 milhas náuticas, e que no caso português, devido aos Açores e à Madeira, têm uma área 18 vezes superior à terrestre. O estatuto da ZEE não é bem conhecido. Enquanto as águas interiores se equiparam à terra firme e nas águas territoriais apenas há que conceder a "passagem inofensiva" à navegação, a ZEE é uma porção do "alto mar" onde a exploração dos recursos económicos é reservada ao estado costeiro, com as limitações que derivam de direitos de outros. Assim, dizer que a ZEE " nos pertence" induz a ideia da existência de uma soberania, que não corresponde à realidade.

A investigação científica envolve já recursos significativos, mas face à vastidão dos oceanos, à complexidade do meio, às limitações da tecnologia e aos custos associados, existem ainda muitas áreas por explorar. Há mesmo quem refira que  se conhece melhor a face visível da Lua que os fundos do mar...

As riquezas que a ZEE contém são certamente finitas, como a investigação científica claramente nos diz. Daqui resulta o imperativo de introduzir critérios de sustentabilidade na exploração do mar. De resto, muitas destas riquezas serão apenas potenciais, pois a sua exploração não é ainda possível, nem viável.

No que respeita aos recursos vivos, a produtividade do mar está longe de ser uniforme: certas zonas, de fundos baixos, favorecidas por correntes, possuem importantes pesqueiros, outras não passam de vastos desertos...

Porém, se há oportunidades, há também responsabilidades. Importa não esquecer os deveres do estado costeiro- o combate à poluição por ex.- que se traduzem em custos, bem como o facto de que os espaços vazios tendem a ser ocupados, por quem tem mais meios e capacidades. Não basta ter direitos, hverá que exerce-los e quando não existir capacidade autónoma, poder-se-ão negociar parcerias.

Uma gestão eficaz da ZEE implicará assim: definir os seus limites, conhecer as suas potencialidades, possuir um modelo de "governança", dispôr de capacidade empresarial e de tecnologia, fomentar uma aitude de preocupação com a sustentabilidade e edificar um sistema de fiscalização.

  1. OS LIMITES DA ZEE

A convenção de Montego Bay, na Jamaica, fechou os trabalhos da III Conferência das Nações Unidas  sobre o Direito do Mar , iniciados em 1973. Tratou-se de uma conferência de negociação e de codificação, com a participação de mais de cento e sessenta estados. Ao longo de oito anos formaram-se consensos que culminaram na votação do texto definitivo em Abril de 1982. Contudo, a convenção só entrou em vigor após a sexagésima ratificação, em 1994. De qualquer forma, a doutrina da convenção passou, desde 1982, a regular estes assuntos. Portugal ratificou esta convenção em 1997.

De acordo com os artigos 13º e 74º, o limite exterior da zona económica não excederá as duzentas milhas contadas a partir das linhas de base utilizadas para medir o mar territorial, devendo a delimitação entre estados com costas adjacentes, ou  frente a frente, ser feita por acordo entre eles. Ou seja, a partir da linha mediana, equidistante entre o território dos dois estados, negoceiam-se as correcções necessárias para assegurar " equidade" na delimitação; contudo "equidade" é algo de subjectivo...Talvez ainda mais complicado seja o regime das ilhas. O artigo 121 estipula " os rochedos que por si próprios não se prestam à habitação humana, ou à vida económica, não devem ter zona económica, nem plataforma continental"; terão apenas águas territoriais. Esta disposição tem sido, naturalmente, motivo de abundante controvérsia.

O Estado Português, através da lei nº 33/77, fixou os limites do mar territorial em doze milhas e estabeleceu uma zona económica de duzentas milhas. Foram criadas três sub-áreas na ZEE - Continente, Açores e Madeira - e foi referido que, enquanto não existirem acordos com os estados vizinhos, os limites da ZEE não vão além da linha mediana. Curiosamente, não foi então considerada uma "zona contígua" para efeitos de fiscalização, só instituída em 2006.

Também não foram ainda estabelecidos acordos com Espanha e Marrocos. Com Marrocos não se têm registado dificuldades. Já com Espanha, a delimitação no rio Guadiana e no rio Minho segue a linha mediana, uma linha curva, o que traz dificuldades na fiscalização das actividades fronteiriças e já tem originado alguns incidentes. O problema maior contudo, está a sul da Madeira, nas ilhas Selvagens, que Espanha entende não gerarem zona económica. Aqui também já ocorreram alguns incidentes de pesca, fruto da ambiguidade das jurisdições. Acordos na delimitação da ZEE com Espanha e Marrocos, se politicamente possíveis, sem dúvida clarificariam a situação.

A plataforma continental e a sua extensão mereceria certamente aqui algumas palavras, mas será objecto de uma comunicação do Professor Pinto de Abreu, pelo que me abstenho de a abordar.

  1. A INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA

Para tomar decisões acerca de um assunto é necessário conhece-lo; assim, conhecer a ZEE deverá ser uma prioridade. A investigação do mar é um objectivo estratégico para um estado costeiro e deverá ser objecto de planeamento e programação e deverão ser-lhe atribuídos recursos financeiros suficientes. A investigação exige cientistas que é preciso formar, especializar e radicar entre nós. Sabemos que não é fácil, pois há uma tendência natural destes para emigrarem para onde possam trabalhar em melhores condições, tendência esta acentuada pela atitude de algumas instituições de países desenvolvidos que procuram aliciar os melhores talentos. Reforçam assim as suas capacidades e impedem outros de crescer.

Sabemos também que a investigação não é hoje uma actividade isolada: é feita em equipas, em laboratórios, necessita equipamentos, bibliotecas e acesso a redes de informação científica. Só assim, num ambiente propício, se encontram sinergias e a Ciência avança, não esquecendo que os resultados só aparecem ao fim de muito trabalho e de algum tempo.

A evolução tecnológica traz-nos equipamentos cada vez mais caros e sofisticados, necessitando de navios mais diferenciados e de maiores dimensões. A sua operação implica uma logística específica, com realce para a manutenção dos respectivos equipamentos. O moderno navio oceanográfico é uma plataforma muito dispendiosa, quer em termos de aquisição, quer de operação, fazendo todo o sentido que a sua utilização seja cuidadosamente programada. A Marinha Portuguesa dispõe de dois navios - o D. Carlos I e o Almirante Gago Coutinho - relativamente modernos, que têm vindo a ser equipados com sistemas de alta tecnologia. Por outro lado, muitas universidades portuguesas têm já centros de investigação dirigidos para o mar.

Julgo que neste âmbito existem amplas oportunidades de cooperação em língua portuguesa e assinalo que uma das plataformas de eleição para essa cooperação, um dos navios hidro-oceanográficos portugueses se chama, premonitoriamente, D. Carlos I.

  1. A "GOVERNANÇA" DA ZEE

Considerando a vastidão da ZEE poderíamos ser levados a pensar que nela cabem todos, e todas as actividades, simultâneamente. Mas não é assim. A maioria das iuniciativas tendem a concentrar-se  perto da linha da costa, na zona da plataforma continental. Esta zona tem na ZEE do continente uma largura variável, entre as seis e as vinte e cinco milhas, mas é quase inexistente nos Açores e na Madeira.

As actividades passíveis de ocorrer na ZEE são muitas e variadas. Irei lista-las de forma aleatória, e com a certeza de que terei esquecido algumas: o transporte marítimo, os fundeadouros, as actividades portuárias e as marinas, os cruzeiros turísticos, as actividades de recreio, os desportos náuticos, a conservação da natureza e da biodiversidade, a observação de aves e de cetáceos, a  arqueologia subaquática, os diversos tipos de pesca comercial e a pesca lúdica, a aquicultura e os recifes artificiais, a energia eólica "off-shore" e a energia das ondas, a recolha de algas e de fármacos, a prospecção e extracção de recursos geológicos, a passagem e a amarração de cabos submarinos e de oleodutos, a investigação cientifica e tecnológica, os exercícios militares, a biotecnologia, etc.

Torna-se assim, necessário, possuir um modelo político de "governança" da ZEE, que arbitre de modo isento, com oportunidade e eficácia, os conflitos entre estas múltiplas actividades.

A ZEE apresenta-se como algo de transversal,  que interessa a diversos Ministérios; não fará portanto sentido, criar um Ministério do Mar, como já existiu entre nós, sem êxito.

O modelo de " governança" mais interessante talvez seja o francês, que se articula em dois níveis: o do Governo central e o da Administração local. A nível de Governo, existe um Conselho de Ministros especializado, que reune periodicamente; um Secretário-Geral prepara as agendas, acompanha os trabalhos e segue a execução das decisões, tendo acesso directo ao Primeiro- Ministro, que é mantido ao corrente da evolução dos diversos assuntos. A nível local existem os " Prefeitos Marítimos" na dependência directa do Primeiro- Ministro, com autoridade de coordenação das respectivas áreas. Os "Prefeitos Marítimos" são simultaneamente os Almirantes Comandantes Navais, e dispõem nos respectivos Estados- Maiores de representantes das agências estatais, que operam meios no mar.

O modelo português em vigor é muito recente; assim, foi criada uma "Comissão Interministerial para os Assuntos do Mar" presidida pelo Ministro da Defesa e foi aprovada em fins de 2006  a " Estratégia Nacional para o Mar". Por outro lado, a "Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar" criada em 2005, viu as suas atribuições redefinidas no sentido de apoiar aquela Comissão Interministerial. O Secretário de Estado da Defesa e dos Assuntos do Mar tutela esta organização e dispõe ainda de um "Forum Permanente", composto por elementos eleitos e representantes do Estado. A nível local existe a Autoridade Marítima Nacional, acumulando funções com a chefia do Estado Maior da Armada, com poderes de coordenação. Este modelo tem ainda o benefício da dúvida, só sendo razoável avaliá-lo dentro de algum tempo, mas não escondo que gostaria de nele ver um envolvimento directo do Primeiro- Ministro.

De assinalar na Estratégia Nacional para o Mar, o objectivo de promover a ideia da centralidade atlântica de Portugal, afirmando-o comoo País Marítimo da Europa.

Aliás, Portugal foi já recentemente um contribuinte valioso na redacção do "Livro Verde" da Política Marítima da União Europeia.

Recorda-se ainda, que em 2006, foi possível dar início à instalação em Lisboa da Agência Europeia de Segurança Marítima.

  1. A EXPLORAÇÃO DA ZEE

A recolha das riquezas da ZEE implica a existência de capacidade empresarial, de capitais e do domínio da tecnologia adequada. Existem perspectivas de lucros, bem como de muitos empregos qualificados. A criação de uma rede de empresas de apoio e de serviços, um "cluster" marítimo- na feliz acepção de Michael Porter-  permite optimizar os ganhos económicos. Contudo, os empresários não se criam por decreto, e nem sempre existem capitais, nem tecnologia disponível.

Haverá que progredir pela estratégia dos pequenos passos, fazendo desde já aquilo que se sabe fazer bem e para o que existem recursos. Em seguida, ir alargando a área de intervenção, à medida que se vai consolidando a operação das actividades em curso.

Neste âmbito haverá, seguramente, espaço para parcerias e concessões. Não podemos no entanto esquecer, que as empresas visam o lucro; as parcerias e concessões deverão por isso, ser definidas com precisão e a operação dessas empresas terá de ser acompanhada de perto. São assim necessários técnicos especializados, quer para redigir os contratos, quer para velar pela sua execução, que nem sempre existem, na quantidade e com o grau de diferenciação necessários. Abre-se deste modo, outra área de cooperação em língua portuguesa, no âmbito da consultadoria, tirando partido do "know-how" entretanto adquirido por algumas empresas dos nossos países.

  1. A ECOLOGIA E A SUSTENTABILIDADE

Os recursos do mar, os recursos existentes na ZEE, são finitos, como já dissemos. Por outro lado, os oceanos desempenham uma função determinante na regulação do clima do planeta, não só directamente, transferindo calor, como também indirectamente, através da absorção do dióxido de carbono. A poluição com origem em terra constitui mais de 75% da poluição total do mar, produzida pelo Homem, designadamente os efluentes industriais, urbanos e agrícolas, não tratados. A eutrofização é uma consequência, pelo excesso de nitratos, fosfatos e sulfatos, originando a proliferação de algas. Estas, ao entrarem em decomposição, tornam a água pobre em oxigénio, provocando a consequente morte dos peixes. O fenómeno assume importância em certas regiões, como o Mediterrâneo, e está em expansão. A poluição com origem no mar, está ligada à navegação ( derrames acidentais de hidrocarbonetos e descarga das águas de lastro) e à exploração "off-shore" de petróleo e gás. A Convenção de Montego Bay abordou este tema, assinalando ser uma obrigação dos Estados, proteger e preservar o meio marinho.

Fomentar uma atitude de preocupação responsável com a sustentabilidade e a ecologia, prevenindo a poluição e garantindo recursos para as gerações vindouras, será assim algo que o bom-senso e a ética nos mostram ser necessário. Mas não bastam as boas intenções; os estados costeiros têm de promulgar legislação, divulgá-la, detectar as infrações e puni-las.

Será no entanto na alteração das mentalidades que mais se terá de investir: nas escolas e na opinião pública, passando as mensagens adequadas e criando uma atitude de preocupação responsável com os mares. Levará o seu tempo, mas é certamente mais eficaz do que apenas medidas repressivas.

  1. A FISCALIZAÇÃO

Já referimos atrás que não basta declarar direitos sobre a ZEE. Torna-se necessário exercê-los.

Os estados costeiros necessitam ter um sistema de fiscalização, harmónico e equilibrado, que se aperceba em tempo do que ocorre na ZEE, que disponha de vectores de intervenção para localizar e apresar os infractores, e dispositivos legais para os punir.

A prioridade será "conhecer", aperceber-se do que se passa na ZEE, conceito que a NATO baptizou como "Maritime Situation Awareness". Trata-se de estabelecer centros de fusão e correlação da informação, recolhendo tudo o que se relaciona com uma determinada área. Existe um manancial de informação disponível mas que é necessário tratar. As capacidades dos computadores e a tecnologia trazem-nos ferramentas muito úteis neste âmbito. As entradas e saídas dos portos, a informação dos armadores e da "busca e salvamento", os avistamentos e detecções das nossas unidades, a informação de radares costeiros, cadeias VTS e AIS, informações de países vizinhos ou de organizações militares e policiais, tudo deverá ser fundido por forma a obter-se um panorama tão completo quanto possível. A recolha de informação através de satélites é bastante útil, embora tenha custos significativos, admitindo-se ainda nesta actividade o emprego de "RPVs", aviões telecomandados, num futuro próximo.

Os navios, embora possam executar patrulhas aleatórias e procurar os seus próprios alvos, têm um emprego optimizado se forem utilizados de modo reactivo, ou seja, se o comando em terra com base na "Maritime Situation Awareness" lhes der orientações para a fiscalização.

A Marinha Portuguesa inaugurou recentemente o centro de Operações da Marinha, "COMAR", onde se encontram localizados simultaneamente, o Centro de Coordenação de Busca e Salvamento de Lisboa e o Comando das Operações Navais. Este centro está instalado fisicamente em Oeiras junto do "Joint Headquarters Lisbon" da NATO, com quem partilha informação. O objectivo é assegurar a gestão da informação relevante, que posicione o decisor operacional num estado de "superioridade de informação", habilitando-o assim a tomar a melhor decisão. A Marinha tem ainda um projecto em desenvolvimento, designado por SADAP, que assegurará a troca semi-automática de informação do panorama de superfície entre o COMAR e as unidades navais.

Os vectores de intervenção naval são as embarcações e os navios. É desejável que exista um "mix" harmonioso de plataformas com características e capacidades de sustentação diferentes, por forma a optimizar a eficácia e o custo da fiscalização. De assinalar, o recente aparecimento no mercado de embarcações semi-rígidas de médias e grandes dimensões, rápidas e bem equipadas, que com bom tempo têm um raio de acção muito grande e que constituem uma razoável capacidade de fiscalização. Nao será ainda de excluir a utilização de embarcações de pesca ou comércio, montando-lhes armamento ligeiro e com elas executar fiscalização.

Os vectores de intervenção aérea são os helicópteros e os aviões de asa fixa. Estes estão vocacionados para detectar e identificar os contactos e contribuir para o panorama de superfície. Podem também identificar infractores, obter provas fotográficas, alertar os navios de superfície e apoiar as intercepções. Os helicópteros são meios muito versáteis mas com um raio de acção limitado e custos de operação elevados. O seu emprego preferencial é nas actividades de "busca e salvamento".

Porém, não basta apresar o infractor; torna-se necessário levá-lo aos tribunais e obter uma condenação. O estado costeiro deverá ter legislação apropriada, especificando claramente os diversos tipos de infracção e estabelecendo as penas adequadas. As coimas, as multas,  deverão ter um valor dissuasor.

Os interesses em jogo são muito grandes e levam à contratação dos melhores advogados, peritos em encontrar vulnerabilidades no sistema legal. Importa assim, investir também na formação jurídica dos agentes de fiscalização, procurando que os processos sejam elaborados correctamente, e que não se percam causas em tribunal por meras questões processuais.

  1. CONCLUSÃO

Vou terminar. Como julgo ter mostrado, a ZEE será assim um valor económico e uma fonte de empregos e riquezas. Contudo, a sua recolha sustentada implica muito trabalho, planeamento e coordenação.

É uma área onde se abrem oportunidades de parceria ou cooperação, onde uma língua comum e uma proximidade de cultura são facilitadores,  que se sublinham.

Será um investimento pesado, sem dúvida, mas que valerá a pena e dará muitos frutos. Se não for a nossa geração a colhê-los, será certamente a geração dos nossos filhos.


13 de abril de 2009

BLOG ILHAS SELVAGENS TAMBÉM REFERIDO NA REVISTA NS DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS DE LISBOA


No reino da blogosfera

por TIAGO SALAZAR

À passagem dos dez anos de vida, a blogosfera portuguesa está ao rubro. Apesar de muitos blogues serem apenas um espaço recreativo, há quem leve a peito a questão informativa e aspire a ombrear com a imprensa,

blogosfera portuguesa ainda não é rival dos media tradicionais ou tem a força de um gigante informativo como o anglo-saxónico The Huffington Post (huffingtonpost.com), mas um dado é certo: há blogues visitados diariamente por milhares de leitores fiéis que os frequentam como quem lê um jornal ou revista. “São lugares mais arejados”, como nos dirá jocosamente uma frequentadora habitual do ciberespaço. A fazer fé nos cliques dos site meters (os medidores de leitura incorporados nos blogues), é já expressivo o índice de visitas de blogues como o líder Abrupto (abrupto.blogspot.com), do colunista e ex-deputado do PSD Pacheco Pereira, com uma média quatro mil visitas diárias e 26 mil semanais, ou o Câmara Corporativa (corporacoes.blogspot.com), onde pontua Miguel Abrantes, reconhecido como um dos actuais blogues de maior influência – por curiosidade, a nível mundial, o campeão dos blogues é o PerezHilton.com, versado em dissecar a vida de celebridades.

Segundo Leonel Vicente, mentor do blogue Memória Virtual (memoriavirtual.net) e estudioso do fenómeno da blogosfera, “cada vez mais os blogues seguem (acompanham, analisam, dissecam, debatem entre si) as notícias; cada vez menos os blogues – a novidade da blogosfera, enquanto forma individualizada de expressão e comunicação – são notícia em si mesmo”. Leonel acredita que mais do que medir forças “se tem vindo a acentuar a tendência de complementaridade e interpenetração entre a blogosfera e a mediaesfera”. Explica o blogger: “Tal é patente, por um lado, com o desenvolvimento do chamado “jornalismo do cidadão”, a par do crescente número de colunistas de jornais revelados nos blogues. Em paralelo, este intercâmbio traduz-se, por outro lado, no contínuo afluxo de jornalistas à blogosfera.”


No início deste ano assistiu-se a um exemplo da derradeira expansão blogoesférica: a chegada ao Twitter (o último grito do impulso da micropublicação e da "publicação instantânea" possível a partir de qualquer telemóvel) de diversos jornalistas e também de deputados e outros políticos. No entanto, acrescenta Leonel, “a blogosfera em Portugal reúne uma ainda pequena família em termos de massa crítica. Ou seja, falta um projecto de produção de conteúdos jornalísticos estruturados com ênfase na vertente informativa”.

Mas a maioria dos leitores e autores de blogues contactados pela NS’ garante usar já a blogosfera(internacional, sobretudo) como complemento aos meios tradicionais de comunicação social. Sobretudo a oriunda dos EUA e da Grã-Bretanha, onde alguns blogues são já alternativa informativa – caso, entre muitos, do blogue líder na ala dos Negócios Estrangeiros do inglês Andrew Sullivan (andrewsullivan.theatlantic.com), lido anualmente por milhões de e-leitores e com médias diárias da ordem dos 143 mil; o portal da inteligentsia de Washington (willwilkinson.net/flybottle), que fornece links para artigos político-económicos de referência em todo o mundo; ou os comentários avisados de política doméstica e internacional de Steve Clemons, mentor da New America Foundation, disponíveis como um vulgar matutino em thewashingtonnote.com.

Caminhará a blogosfera em Portugal para esta esfera de influência em que os blogues ombreiam com os jornais e revistas? – é a questão que se impõe.

“Acho que as organizações políticas, empresas e agências de comunicação têm de estar muito atentas ao pulsar da ‘comunicação orgânica’ que brota cada vez com mais autoridade e para mais público dos canais online. Há muita qualidade na blogosfera que concorre claramente com os meios tradicionais”, afiança o experimentado bloguer João Távora (ex-Corta-Fitas, actual Risco Contínuo).

Por seu turno, Rita Barata Silvério, autora do blogue sobre mundanidades Rititi (www.rititi.com), discorda da autoridade informativa da blogosfera. “Em Portugal, a blogosfera é ainda olhada como uma outra fonte de opinião, não de informação. Funcionam os blogues mais como colunas e assim são encarados os bloggers, como alternativas aos colunistas da imprensa escrita. Esta é a diferença em relação aos EUA, onde os blogues informam e portanto são credíveis e estão à altura dos jornais.

O único blogue que faz informação política é o 31 da Armada, quando acompanha os congressos dos partidos políticos”, afirma. Porém, garante, “é na blogosfera que ainda se encontram as vozes mais frescas, imaginativas e desembaraçadas da escrita portuguesa”. Rita sempre teve público leitor e não viu nos blogues um pasto para o ego. “Graças a Deus sempre tive uma voz, que foi amplificada quando comecei a publicar no blogue. Não escrevo para ser uma ‘figura pública’, mas sim porque acho que tenho coisas a dizer sobre temas que me interessam. Acontece que há gente interessada no que eu penso e por essas opiniões estarem publicadas num meio global e gratuito têm uma grande divulgação. É como falar num café mas com mais gente a ouvir”, esclarece. Entre os blogues que segue com atenção há a mais variada escolha, de moda, política e literatura a homens bonitos e programas de televisão. Por exemplo, o Bomba Inteligente, Controversa Maresia ou Corta-Fitas.


Para Miguel Castelo Branco, que alimenta a solo a partir de Banguecoque, Tailândia, o blogue Combustões (versado sobre arte, política e história), “a blogosfera portuguesa sofreu, ao longo dos anos, uma profunda mudança. Foi inicialmente veículo de sã e despreocupada necessidade de comunicar contornando as barreiras da chamada ‘Imprensa oficial’ e da mais do que duvidosa ‘opinião pública’ por aquela construída, quando essa ‘opinião pública’ se limitava, claro, à opinião que se publicava e aos sempiternos opinadores. Depois transformou-se em arena de enfrentamento ideológico, muitas vezes com recurso à soez agressão verbal e ao insulto pessoal resguardados pelo anonimato”. No que ao seu Combustões diz respeito, recebe diariamente diversos e-mails com comentários, críticas e sugestões. Nota curiosa é o crescente interesse dos decisores políticos pelo conteúdo dos blogues. “Abrindo a lista de visitas, verifico receber diariamente leitores dos ministérios, da Assembleia da República, das câmaras municipais, das embaixadas portuguesas e até dos órgãos da União Europeia”, diz Castelo Branco.

Se os blogues começaram por ser desacreditados pelos políticos, muitos deles não dispensam ter hoje ali a sua tribuna virtual. É o caso do ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes (pedrosantanalopes.blogspot.com) ou do já referido Pacheco Pereira, além de economistas de referência como Pedro Arroja (portugalcontemporaneo.blogspot.com) ou o sociólogo António Barreto, cronista do diário Público e um dos mosqueteiros do blogue Sorumbático – onde pontificam outros nomes conhecidos como Helena Roseta, Carlos Pinto Coelho, Baptista-Bastos, Nuno Crato, Alfredo Barroso, Saldanha Sanches, Galopim de Carvalho, Nuno Brederode Santos, Joaquim Letria, Maria Filomena Mónica, Alice Vieira, Pedro Barroso ou Manuel João Ramos.

Pedro Quartin Graça, do Partido da Terra, deputado eleito nas listas do PSD, é um blogger de primeira linha com vários espaços de intervenção. Para além do seu blogue pessoal (pqg.blogspot.com), é ainda autor do Ilhas Selvagens (ilhasselvagens.blogspot.com) e participa igualmente em blogues colectivos como o muito propalado Câmara de Comuns (camaradecomuns.blogspot.com). O deputado não tem dúvidas em declarar à NS’ que “a blogosfera é o futuro informativo credível. É notória a interligação entre rádio, televisão, jornais e a blogosfera, com a participação frequente e ‘ao vivo’ de bloggers em programas de rádio e de televisão e o aumento de espaço que na imprensa é dedicado às opiniões expressas em blogues”. Curiosamente, recapitula Quartin, “a blogosfera é também um importante palco de recrutamento de jornalistas”. Entre inúmeras vantagens da blogosfera está o facto de ser “um espaço interessante, gratuito e, acima de tudo, livre”. No seu caso, a última funcionalidade que adicionou ao blogue pessoal foi a ligação ao Twitter, o que lhe permite estar em rede em tempo real com dezenas de leitores, naquilo que considera um “valioso serviço público”.

 

João Gonçalves é a alma do blogue Portugal dos Pequeninos (portugaldospequeninos.blogspot.com), no topo dos mais visitados e citados pelos seus pares.

Entrou “nisto” em Junho de 2003, a título de mera curiosidade, depois de se ter apercebido da existência do Abrupto. Só mais tarde verificou que já navegavam verdadeiras “esquadras” blogosféricas como, por exemplo, A Coluna Infame (“falecida” em 2003). Gonçalves prefere “a iconoclastia solitária” e admite que a blogosfera tenha alguma influência “silenciosa”. “Tem-na certamente na ajuda a compor a ‘agenda’ dos media tradicionais, mas nada que se compare aos países onde ela é uma referência. Aqui, tudo é muito pequenino. Até os blogues. Todavia, pressente-se que há alguma atenção dirigida à blogosfera. De tal forma que o próprio poder se socorre dela, por interpostos "anónimos" com ou sem nome, para os devidos efeitos (ou contra-efeitos)”, diz. Para Gonçalves, o blogue é um instrumento de liberdade para “tentar perceber” e não exactamente um “diário” onde se alivia ou pratica “teorias da conspiração”. Quanto ao estatuto dos bloggers, “basta ler os jornais e uma ou outra televisão para constatar a transposição de bloggers para a vida pública embora a inversa seja mais vulgar”.


Francisco José Viegas, jornalista, escritor e blogger pioneiro, alimenta a blogosfera há vários anos. Hoje reconhece-se de certa maneira menos encantado. “Já gostei mais de blogues e já os li mais, logo de manhã. Por vários motivos, continuo a lê-los e encontro-lhes grandes virtudes, a par de coisas dispensáveis (a verdade é que antigamente muitos idiotas andavam anónimos pelas ruas e hoje grande parte deles encontra-se na blogosfera)”, diz, com a sua patibular ironia. Sendo a net barata, acessível e livre, “dá para tudo, para o melhor e para o pior, para a maledicência e para a aldrabice, para as cartas de amor (ridículas, evidentemente) e para a banalização de tudo. É aí que estamos todos”.

Rui Castro, autor do blogue de referência em matéria política Nem Tanto ao Mar (nemtantoaomar.blogspot.com), um dos mais visitados, com médias de leitura acima do milhar, acha óbvia a importância crescente de alguns blogues junto de muitos jornalistas e políticos. “Basta constatar o uso deste meio de comunicação pelos principais candidatos nas principais eleições ocorridas nestes últimos anos”, diz. Entre os blogues políticos que segue com mais atenção destaca, à esquerda, o 5 Dias e o Arrastão. À direita tem uma escolha mais vasta: O Cachimbo de Magritte, Insurgente, Blasfémias, Portugal dos Pequeninos, Mar Salgado, Voz do Deserto ou A Causa Foi Modificada.

Paulo Querido, jornalista freelance e um dos pioneiros da blogosfera (pode ser lido no webzine Certamente em http/pauloquerido.pt), duvida de que por cá se caminhe para a esfera de impacte das congéneres americana, inglesa ou francesa, onde os bloggers rivalizam ou são angariados pela imprensa generalista. “Duvido de que a blogosfera portuguesa venha a ter tanto impacte quanto essas, uma vez mais por causa da massa crítica e da capacidade de investimento da nossa sociedade, que é diminuta. Nem temos umablogosfera particularmente arrojada e desafiante nem temos uns media particularmente propensos, ou abertos, à inovação e à mudança”, diz.


Pedro Vieira, também conhecido por Irmão Lúcia, do blogue de sátira (irmaolucia.blogspot.com) e co-autor do Arrastão, não vê ainda sinais suficientes desse capital de influência. “Já se vai mostrando músculo, os jornais vão citando a blogosfera, criam conteúdos a partir de temas e/ou abordagens amplamente debatidas nos blogues. Há um debate muito mais rico nos blogues, mais sustentado e duradouro, mais ideológico até, numa época imediatamente posterior àquela em que se dava como acabados esses conceitos de esquerda/direita, progressista/conservador, por aí fora”, adianta. No entanto, Vieira duvida de que a esfera de influência cresça até atingir a profissionalização de um Huffington Post (gigante portal anglo-agregador de blogues). “Acho que essa questão está muito dependente da solidificação de um grupo de leitores participativos e exigentes. E de bloggers que estejam dispostos a utilizar o seu tempo livre para produzir matéria-prima relevante. Mais tarde um ou outro poderão profissionalizar-se, na esteira do pretendido com os árbitros de futebol, coincidência que poderá não ser muito moralizadora”, remata o picaresco Vieira.

Uma cronologia selectiva

30.03.1999 – Início do Macacos Sem Galho, de Pedro Couto e Santos, o blogue português mais antigo ainda em actividade

15.10.2002 – Pedro Mexia, João Pereira Coutinho e Pedro Lomba lançam A Coluna Infame, primeiro blogue português de cariz predominantemente político

01.01.2003 – José Mário Silva e o irmão, Manuel Deniz Silva, apresentam o Blog de Esquerda, como contraponto à Coluna Infame

23.02.2003 – Criado o Blogue dos Marretas, por três docentes da Universidade da Beira Interior

27.03.2003 – Paulo Querido cria O Vento Lá Fora, depois rebaptizado Mas Certamente Que Sim!... ou, apenas, Certamente!

02.04.2003 – Carla Hilário de Almeida cria o Bomba Inteligente
25.04.2003 – Ricardo Araújo Pereira, Zé Diogo Quintela, Miguel Góis e Tiago Dores criam o blogue Gato Fedorento, precedendo o programa televisivo

06.05.2003 – Pacheco Pereira inicia o Abrupto

08.05.2003 – Surge um blogue de grande impacte em termos de audiência, de autor anónimo, O Meu Pipi


12.06.2003 – Começa o Desejo Casar, reunindo um alargado grupo, incluindo jornalistas, arquitectos,designers, juristas, argumentistas, filósofos


25.06.2003 – João Morgado Fernandes dá início à publicação do Terras do Nunca, precedendo o French Kissin'


04.07.2003 – Paulo Gorjão inicia a publicação do Bloguítica Internacional, que daria origem ao Bloguítica no final de Outubro


10.09.2003 – Inicia-se o Barnabé, próximo do Bloco de Esquerda, com os colunistas Daniel Oliveira e Rui Tavares, entre outros membros


18.09.2003 - I Encontro Nacional de Weblogs, em Braga, numa organização da Universidade do Minho


22.11.2003 - Vital Moreira, Ana Gomes, Vicente Jorge Silva, Luís Osório e Luís Nazaré são alguns dos fundadores do Causa Nossa


01.12.2003 - Rita Barata Silvério inicia o Rititi


29.02.2004 - Primeira “mega-fusão” da blogosfera portuguesa: Mata-Mouros, Cataláxia e Cidadão Livre dão origem ao Blasfémias, com nomes como os de Carlos Abreu Amorim, Rui Albuquerque, Gabriel Silva, a que se juntaria pouco tempo depois João Miranda


27.10.2004 - A blogosfera é sacudida com o caso Do Portugal Profundo, com a Polícia Judiciária a confiscar o computador do autor do blogue por alegada quebra do sigilo judicial a propósito do caso de pedofilia na Casa Pia


17.05.2005 - Medeiros Ferreira, Joana Amaral Dias e Bettencourt Resendes são alguns dos criadores do Bicho Carpinteiro


30.11.2005 - Paulo Guinote cria o Educação do Meu Umbigo, muito lido por professores


03.01.2006 - Constança Cunha e Sá inicia O Espectro, que contaria também com a participação de Vasco Pulido Valente


24.05.2006 - Daniel Oliveira regressa à blogosfera, com o Arrastão


05.06.2006 - Pedro Vieira dá início aos seus “rabiscos” no Irmão Lúcia


25.11.2006 - Nasce o 31 da Armada, com uma vasta equipa, sob o comando de Rodrigo Moita de Deus e Paulo Pinto Mascarenhas


17.10.2008 - Cisão no 5 Dias, leva à formação do Jugular, em que participam, entre outros, Fernanda Câncio, Inês Meneses, João Galamba, Maria João Pires, Miguel Vale de Almeida e Paulo Côrte-Real.

ILHAS SELVAGENS EM DESTAQUE NA REVISTA DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

SELVAGENS, MAS NOSSAS!

9000-900. Sabia que é este o Código Postal das Selvagens? Para acabar com o desconhecimento sobre a parcela de território mais a sul de Portugal, Quartin Graça criou um blogue, que já é um sucesso.

"Não nos silenciarão na tarefa de divulgação da verdade histórica sobre as Ilhas Selvagens. Custe o que custar". A frase é do líder do MPT, Pedro Quartin Graça e foi publicada num dos comentários do blogue que destina desde o fim do ano passado a este conjunto de ilhas. 

Apesar de não ser madeirense, o deputado da Assembleia da República, eleitos nas listas do PSD, diz-se muito amigo dos arquipélagos e tem um fascínio natural pelas mais desconhecidas, enigmáticas e rudes ilhas portuguesas. Em Setembro do ano passado, teve oportunidade de pisar o solo das Selvagens pela primeira vez. Fê-lo aproveitando uma boleia de 11 horas (por percurso) da Marinha para experimentar a "realidade nua e crua". A visita teve, contudo, muito pouco de turístico, e Pedro Quartin Graça aproveitou para enriquecer com esta experiência a tese de doutoramento, subordinada ao tema 'ilhas Selvagens: Enquadramento jurídico', que conta defender ainda este ano em Madrid. "Não poderia falar sobre um sítio sem nunca o visitar", sublinha ao DIÁRIO. Na memória guarda a caminhada de mais de três horas em escarpa, a colónia de cagarras e as conversas que manteve com Francisco Zino. 

A experiência foi de tal ordem enriquecedora, que o investigador "um autodidacta das novas tecnologias" - como se intitula - decidiu divulgar as ilhas através da blogosfera na página ilhasselvagens.blogspot.com

"É o meu contributo pessoal para tentar acabar com algum desconhecimento em relação ao território mais a sul de Portugal", explica. No blogue encontra-se um pouco de tudo sobre o pequeno arquipélago. Quem por lá passa fica a saber não só a História desta reserva natural, desde a descoberta em 1364, pelos irmãos Pizzigani ao baptismo em 1438 por Diogo Gomes de Sintra. Saberá ainda como é que o território passou da mão de privados para a mão do Estado e curiosidades como o código postal. Não faltam as lendas que falam em tesouros escondidos, nem as últimas teorias de que a ilha perdida de Atlântida é vizinha das Selvagens. 

Espanhóis atentos O blogue tornou-se recentemente parceiro da rede 'Global Island Network', uma Organização Não Governamental que visa unir os ilhéus de todo o Mundo em torno de um desenvolvimento sustentável, procurando reunir esforços na solução de problemas. Quartin Graça não esconde a satisfação por este feito, considerando que se trata de "um sinal evidente do reconhecimento nacional e internacional e do prestígio já adquirido". 

O responsável está contente com a resposta dos internautas e garante que o número de visitantes para um blogue deste género "é bastante significativo". "Temos 75% de visitantes portugueses e 25% espanhóis", declara. O interesse de 'nuestros hermanos' não surpreende o investigador, que lembra que "este é um dos poucos dossiers da nossa diplomacia que permanece aberto". E acrescenta: "O assunto tem estado adormecido, mas não está fechado". Quartin Graça pretende dar o seu contributo e defender com 'unhas e dentes' que o território é mesmo nosso. Na investigação que tem levado a cabo no âmbito da tese académica, diz ter-se mesmo deparado com novas evidências e que os Pizzigani podem não ter sido os primeiros a pisar o solo inóspito. O político não quer desvendar tudo, mas deixa antever que os portugueses foram os pioneiros. E porque é que isso é tão importante? O estado espanhol tem insistido em que a delimitação da Zona Económica Exclusiva (ZEE) se faça ignorando as Selvagens ao considerá-las como ilhéus, tendo por várias vezes violado o espaço aéreo das mesmas com aeronaves militares, enquanto que o estado português insiste na sua classificação como ilhas, ampliando a ZEE portuguesa. Quartin Graça promete não se calar e, até que a voz lhe doa, apregoará que o pequeno tesouro agreste até pode ficar para os lados das Canárias, mas não podia ser mais lusitano, até na forma bravia como impeliu sempre os desejos de povoamento.

12-04-2009 
Sandra Cardoso


11 de abril de 2009

IUKEN - ILHAS SELVAGENS PARTICIPA NO MEGA- CONCURSO DA BLOGOSFERA NACIONAL


O Ilhas Selvagens abra hoje uma excepção e fala de um tema diverso da realidade insular. O "IS", não sendo um blog com fins lucrativos, não fica todavia indiferente aquele que é o maior prémio alguma vez atribuido a blogs em Portugal, incluido no maior concurso de sempre da blogosfera portuguesa. 
Trata-se do iuKen, premeia apenas um blog, sendo que o melhor post ganha um prémio no valor comercial de quatro mil euros! A todos os restantes participantes, serão atribuídos prémios, que podem ir até ao valor comercial de 50.00 euros. Veja tudo e confira em: http://iuken.com/blog/escreva-sobre-a-iuken-e-ganhe-400000-euros/

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