10.11.09

Ilhas Selvagens inspiram moda brasileira


1.11.09

Os Açores num documentário do Canal Odisseia

Excepcionalmente damos hoje relevo a ilhas igualmente portuguesas mas fora do arquipélago da Madeira: os Açores. "O arquipélago dos Açores dorme no meio do Oceano Atlântico, a cerca de 1.600 quilómetros de Portugal continental e 2.000 do Canadá. Pelas suas condições excepcionais e por estar rodeado das águas temperadas da Corrente do Golfo, estas ilhas desenvolveram o seu próprio ecossistema. O clima é tão imprevisível que, na zona, é habitual dizer-se que, num só dia, podem experimentar-se várias estações. Os mitos e lendas que envolvem estas ilhas mágicas datam dos textos de Platão que falam da Atlântida...


26.10.09

Ensino na Madeira


As Ilhas Selvagens em desenhos dos alunos da  escola EB1/PE Dr. Clemente Tavares, de Gaula

Hoje, dia 12 de Maio veio à nossa escola a Dra. Isabel, do Parque Natural, falar aos alunos do 3º e 4º Anos, sobre as Ilhas Selvagens e mostrar um Power Point.
Aprendemos muitas coisas, fizemos algumas perguntas à Dra. Isabel e ela explicou-nos tudo muito bem.
Gostámos muito de ver as imagens das plantas, dos peixes e das aves marinhas.
As selvagens são o tesouro do Atlântico, porque lá há muita variedade de animais, plantas e aves. A Dra. Isabel ofereceu para cada um de nós, um CD sobre as Selvagens.

A Dra. Isabel disse que existem três ilhas: a Selvagem Grande, a Selvagem Pequena e o Ilhéu de fora.
Na Selvagem Grande existe uma casa para os vigilantes verem se está tudo bem com as ilhas. Há sempre vigias nas Selvagens, mas eles trocam-se de três em três semanas.
A Selvagem Pequena é muito baixa, mas também tem uma casa, mas muito mais simples, feita com um contentor e os vigias só lá vão entre Maio e Outubro, que é quando o mar está melhor.
Diz a lenda que um senhor que se chamava Kidd roubou um tesouro dum barco e enterrou-o numa gruta da Selvagem Grande. De regresso a casa apanharam uma tempestade e morreram. Só ficou um homem que contou que havia um tesouro lá na gruta. A notícia foi-se espalhando por toda a parte e as pessoas acreditaram, mas até hoje ninguém descobriu esse tesouro.
O tesouro das Ilhas Selvagens, são as plantas, os peixes, os répteis e as aves que lá existem, e que são próprias de lá.
Cláudia
Nós vimos que havia muitas aves marinhas: calcamares, cagarras, almas negras,… Essas aves marinhas vêm todos os anos à terra fazer os ninhos entre as pedras e pôr os ovos. Elas vão ao mar se alimentar e quando os filhotes nascem trazem-lhes o alimento. Quando as aves bebés ficam maiores, já com penas, vão com os pais ao mar.
As Ilhas Selvagens são uma Reserva Natural. É proibido matar aves e peixes ou apanhar plantas. As pessoas só podem visitar as ilhas com a autorização do Parque Natural.
Quando as pessoas vão visitar as ilhas têm de ter cuidado para não pisar os ninhos das aves, por isso são sempre acompanhadas pelos vigilantes.
Ema
Nas Selvagens existem algumas aves marinhas: cagarras, corre-caminhos e alma negra que vão à terra de Março a Novembro, fazer os ninhos e criar os seus filhos. Também existem alguns répteis como a lagartixa e a osga, que não são venenosas.
Antigamente havia muitos caracóis terrestres. Sabemos isto porque há um sítio onde só restam as carapaças.
Nas águas do mar das Selvagens há muitos tipos de peixes e também há anémonas.
Dizem que um capitão chamado Kidd assaltou um navio que tinha um tesouro e que escondeu-o nas Selvagens. Isto aconteceu há muitos anos e ainda ninguém descobriu esse tesouro.
Para mim o tesouro das Selvagens é: os peixes, as plantas e as aves marinhas que lá existem e que são espécies raras.
Renato
A Dra. Isabel falou-nos sobre as aves marinhas. As que existem em maior quantidade, são as cagarras. As aves vão para terra entre Março e Novembro fazer os ninhos e terem os seus filhotes.
A partir dos anos setenta foi proibido matar aves marinhas, pescar os peixes de lá e arrancar plantas, porque é uma Reserva Natural, pois existem espécies raras e únicas.
Há vigilantes durante todo o ano na Selvagem Grande, mas na Selvagem Pequena eles só podem ir de Maio a Outubro, que é quando o mar oferece melhores condições.
A Dra. Isabel contou-nos a lenda do capitão Kidd. O capitão Kidd tirou um tesouro a uns ladrões e escondeu numa gruta da Selvagem Grande. Quando regressavam à sua terra natal, houve uma tempestade e morreram. Só restou um marinheiro que espalhou esta lenda.
Henrique
A Dra. Isabel disse-nos que as pessoas já tentaram viver lá nas Selvagens, mas não conseguiram porque há pouca água. Sabemos isto porque ainda se encontram alguns muros construídos pelos homens. Também há canais para água, porque eles tentaram plantar e semear mas não conseguiram.
Há muitas aves que fazem os seus ninhos nas ilhas e quando as aves bebés sabem voar partem com os pais. Eu gostava de conhecer a cagarra e o calcamar.
Na selvagem Grande há um sítio com muitas carapaças de caracóis terrrestres. Lá existem lagartixas e osgas e muitos arbustos. Há dois arbustos que, antes das Selvagens serem Reserva Natural, os homens apanhavam em grandes quantidades: a urzela, que tem um líquido vermelho e por isso era aproveitado para tingir os tecidos e outra planta, não me recordo o nome, que dava para fazer sabão.
A selvagem Pequena é muito baixinha e tem muita areia branquinha.
Eu gostei de ver o Tesouro do Atlântico!
Nicole

30.9.09

Ilhas Selvagens no "Siete Islas"

canarias-7-martes-07-10-08.jpg

29.9.09

O MUNDO A CEM PÉS

José de Sousa publicou recentemente este excelente livro que "Ilhas Selvagens" particularmente recomenda!

AçoresEste «O Mundo a Cem Pés» começou, pode dizer-se, há mais de trinta anos! O autor sempre teve grande apetência pela escrita e desde os catorze anos faz pesca submarina. Não estranhou por isso que o casamento destas duas paixões surgisse naturalmente! Fazer pesca submarina e escrever sobre esta passaram a ser duas actividades indissociáveis, já lá vão muitos e muitos anos!

Foram centenas os artigos publicados em jornais como o Diário de Notícias, A Bola, O Mundo Desportivo, O Record, Portugal Hoje, Diário Popular, e em publicações náuticas como o Notícias do Mar, Mundo Submerso, Mundo Náutico e Pesca Submarina. De permeio, tempo ainda para editar na década de oitenta o livro «A Caça Submarina de Ontem e de Hoje», há muito esgotado.

Ainda hoje, sempre que José de Sousa parte para qualquer lado para fazer pesca submarina, acompanha-o o bloco de notas e a máquina fotográfica, registando apontamentos e fotos para o que der e vier. É justamente o acumular de muitos destes apontamentos e destas fotos, que está na génese de «O Mundo a Cem Pés». De milhares de páginas de apontamentos e de mais de um milhar de fotografias, o autor reconstituiu mais de duas dezenas de histórias, na sequência das muitas aventuras submarinas que viveu um pouco por todo o mundo nos últimos trinta anos.

São estas histórias que «O Mundo a Cem Pés» vem revelar, para deleite de todos aqueles que ou são apaixonados pelo mar, pelas viagens exóticas, pelo mergulho, ou pela pesca submarina.

Pensado já na era das novas tecnologias, o autor idealizou-o inicialmente em formato online; porém, a fidelidade ao papel acabou falando mais alto. Convicto de que lançar um livro nesta conjuntura seria mais arriscado do que fazer um mergulho em apneia a trinta metros (cem pés), ainda assim José de Sousa assumiu a edição, fugindo dos circuitos normais de distribuição e venda, e optando por comercializá-lo directamente, servindo-se das novas tecnologias para a sua promoção, divulgação e venda.

São cerca de duzentas páginas e mais de cinquenta fotos em quadricromia, num papel de 115 gramas, com capa envernizada de 170 gramas. É também aqui um casamento perfeito: um produto delicioso numa excelente embalagem!

Link:

http://www.o-mundo-a-cem-pes.com/index.php?Pagina=conteudo&ID=1

21.9.09

Investigadores e alunos premiados em expedição às ilhas Selvagens e Desertas

É uma iniciativa histórica e nela participarão os melhores alunos de Física do arquipélago: um grupo de investigadores da Universidade da Madeira vai liderar duas expedições às ilhas Desertas e Selvagens com o objectivo, inédito, de registar electronicamente o céu nocturno visto daquelas reservas naturais. As viagens terão lugar na Semana Astro-Marítima, que decorre de 20 a 25 de Setembro no âmbito das celebrações do Dia Internacional do Mar (24 de Setembro).

ilhas_desertas

Nas expedições, investigadores e alunos poderão observar o Sol e passear, com telescópios, pelo céu nocturno. Planetas do Sistema Solar, a Lua, constelações, nebulosas e estrelas longínquas são alguns dos corpos celestes que desfilarão aos olhos dos participantes. Pela madrugada, no regresso da expedição às Selvagens, a viagem será feita ao sabor da navegação astronómica, ou seja, navegação pelas estrelas.

Mas a aventura astronómica quer ir mais além do céu. "Vamos aproveitar o cenário onde nos encontramos para, em colaboração com o Parque Natural, apreciarmos as espécies vegetais e animais únicas dos dois grupos de ilhas, por exemplo, a aranha-lobo ("tarântula") das Desertas e a freira do bugio, ave raríssima", adianta o astrónomo Pedro Augusto, da Universidade da Madeira.

Esta vai ser a primeira vez em que se procederá, nas ilhas, ao registo fotográfico de objectos celestes. "E ainda mais importante, é a primeira vez que se vão fazer medições rigorosas do brilho do céu nocturno nas ilhas", explica o investigador.

A primeira expedição, que se prolongará por três dias, vai levar cientistas e alunos à Deserta Grande. Com partida marcada para o dia 20 de Setembro (domingo), esta primeira viagem permitirá aos participantes subir ao planalto da ilha (a 400 metros de altitude), onde pernoitarão durante a estadia. Os alunos participantes serão os 13 melhores alunos de Físico-Química do 11º ano das escolas da região autónoma.

Para participarem na expedição à distante Selvagem Grande apenas foram seleccionados os três melhores alunos do 12º ano na disciplina de Física. A viagem, com início no dia 24 de Setembro, prolongar-se-á por dois dias e permitirá a alunos e investigadores olhar, medir e fotografar, pela primeira vez, o céu nocturno da ilha. No regresso ao Funchal, a viagem de barco será realizada com o apoio das estrelas.

No ano em que se comemora o Ano Internacional da Astronomia, a Universidade da Madeira pretende, com o apoio do Comando da Zona Marítima e do Parque Natural da Madeira, "levar a Astronomia a todos os pontos do arquipélago e dar a este último uma nova visibilidade a nível nacional".

A Semana Astro-Marítima integra as comemorações oficiais do Ano Internacional da Astronomia (AIA2009) no arquipélago da Madeira. Para mais informações, os interessados poderão consultar o site da iniciativa (http://www.uma.pt/aia09/sam.htm).

O Ano Internacional de Astronomia (www.astronomia2009.org) é organizado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), da Fundação Calouste Gulbenkian, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, da Agência Ciência Viva e da European Astronomical Society (EAS).

14.6.09

Moluscos Marinhos - Atlas das Ilhas Selvagens"


No início do próximo mês de Junho, na ilha da Madeira, em concreto no Funchal, terá lugar o lançamento do livro "Moluscos Marinhos - Atlas das Ilhas Selvagens" da autoria de Mónica Albuquerque (ex-aluna de Biologia da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias), Gonçalo Calado e José Pedro Borges

Para efectuar pedidos dos exemplares contactar:

via e-mail:dramb.sra@gov-madeira.pt
via correio:Direcção Regional do AmbienteRua Dr. Pestana Júnior, n.º 6 - 3 Dto9064-506 Funchal
via telefone:291 207350 (telefone geral)800 21 20 21 (linha do ambiente - número verde)
via fax:291 229438

11.6.09

Ilhas Selvagens

Ilhas Selvagens

6.6.09

Salvages Ilhas Selvagens

Autor: José Lemos

In: http://madeira-gentes-lugares.blogspot.com/2007/09/ilhas-selvagens.html

Nota: Os nossos reiterados agradecimentos ao autor


( Foto by web)


Introdução - Generalidades



O Arquipélago da Madeira já era conhecido desde meados do século XIV por navegadores, que percorriam o Atlântico à procura das “paradisíacas ilhas atlânticas” ou do “paraíso perdido” da Antiguidade Clássica da Europa, onde Fenícios e Gregos narravam “odisseias” para lá das “Colunas de Hércules”, que se perpetuaram na cartografia da época, desenhada por cartógrafos ibéricos e italianos.


Carta Portulano de Angelino Dulcert. Majorque, 1339
(Foto by web)


Na carta de Dulcert de 1339, «a costa africana e algumas das ilhas Canárias já eram referenciadas e anotadas. As ilhas madeirenses só aparecem desenhadas em 1351, numa carta do chamado atlas Mediceo e logo a seguir numa carta atribuída aos irmãos Pizzigani, de 1367, numa folha do planisfério catalão de Abraão Cresques, de 1375 (conservada na Biblioteca Nacional de Paris), na carta de Pinelli, de 1390», e também na «carta de Solleri, de 1385, além de várias outras». Nestas, «verificam-se algumas modificações dos contornos e do posicionamento relativo das ilhas de carta para carta, e ligeiríssimas alterações na grafia das designações da Madeira conhecida por Lenyame, Lecname ou Legname e das Selvagens por Selvagens ou Salvages, estas pela primeira vez apontadas, na carta dos Pizzigani de 1367», segundo Luís de Albuquerque e Alberto Vieira - “O Arquipélago da Madeira no Século XV”. No ano 1489 na Carta Portulano do Cartógrafo Albino de Canepa, as Selvagens já eram uma “referência cartográfica” entre a Madeira e as Canárias, conforme se vê a figura abaixo colocada.

Carta Portulano do Cartógrafo Albino de Canepa, 1489
(Foto by web)

Segundo o Tenente-Coronel Alberto Artur Sarmento, na sua obra intitulada a “As Selvagens (1906)”, refere que, é «a Diogo Gomes, navegador ao serviço do infante, mais tarde almoxarife do paço de Cintra, que se deve a primeira noticia da Selvagem, por um seu manuscripto intitulado ‘De insulis primo inventis in oceano occidentis’. Este manuscripto, existente na bibliotheca real de Munich, foi traduzido para allemão em 1845 pelo Dr. SchmelIer, e em 1899 vertido todo o codice do latim pelo sr. Gabriel Pereira, da Sociedade de Geographia de Lisboa.
'Em certo dia, vindo eu, Diogo Gomes pela ultima vez da Guiné, ao meio das ilhas Canarias e a da Madeira, vi uma ilha e estive n’ella, chamada ilha Selvagem.
É estéril, ninguem habita ahi, nem tem arvores nem aguas correntes. As caravellas do senhor infante descobriram esta ilha e descendo em terra acharam muita urzella, que é uma herva que tinge os pannos de côr rubra, e acharam-na em grande abundancia.
Depois, alguns pediram ao senhor infante que lhes desse licença para irem alli com as suas caravellas e podessem transportar a urzelIa a Inglaterra e Flandres; onde tem grande valor.
O senhor infante deu-lhes licença, com a condição de lhe darem a quinta parte do lucro, o que fazem.
E o senhor infante mandou para alli caprideos que se reproduziram muito bem'».
Diogo Gomes era moço da câmara do infante D. Henrique e foi também seu navegador. Numa navegação efectuada em 1456 esteve na embocadura do rio Grande (actual rio Geba, na Guiné) e terá, no regresso, subido o rio Gâmbia até Cantor, onde obteve as primeiras informações sobre as explorações mineiras no Senegal e Alto Níger e desembarcado nas ilhas orientais do Arquipélago de Cabo Verde. Em 1459/60 voltou à Guiné e explorou a região do rio dos Barbacins. No regresso de uma destas viagens “poderá ter descoberto” as Ilhas Selvagens. A data oficial da descoberta das ilhas ainda parece que continua a ser um enigma. Na consulta a vários autores, as datas da mesma, não são concordantes (?). 1438, é a data mais referenciada. Contudo como já foi dito anteriormente, as Selvagens já constavam da cartografia trecentista.


Planisfério catalão de Abraão Cresques, de 1375
(Conservado na Biblioteca Nacional de Paris - Foto by web)


Prosseguindo a supracitada obra do Tenente-Coronel Alberto Artur Sarmento “As Selvagens (1906)”, «encorporados na corôa os bens do Mestrado de Christo, no reinado de D. Manoel, fizeram os reis concessões dos terrenos da Ordem a muitos fidalgos de sua casa e esforçados guerreiros que se distinguiram nas luctas de além-mar.
No seculo XVI pertenciam estas ilhotas a uma família madeirense do titulo de Cayados.
Um dos seus descendentes, o cónego Manoel Ferreira Teixeira, doou-as por 1560, a sua sobrinha D. Filippa Cabral de Vasconcellos, casada com José Ferreira de Noronha Franco, dos morgados das Selvagens.
Quando em l863 foi posta em execução a lei da extincção dos morgados, alguns d’elles registaram officialmente os seus bens, tendo-se d’isso descurado o morgado Cabral de Noronha.
Em 1904, os seus herdeiros venderam-n’as por posse incontestada ao sr. Luiz da Rocha Machado, seu actual proprietario». “As Selvagens (1906)” do Tenente-Coronel Alberto Artur Sarmento é uma monografia das ilhas Selvagens, nela dando conhecimento da sua história, geografia geologia, paleo-oceanografia, fauna, flora e das suas lendas até o início do século XIX. A estes conteúdos, de igual forma, são descritos no “Elucidário Madeirense” e nas “Ilhas de Zargo”.


Selvagem Grande
(...) «por serem hermas, e desconversáveis assi de navegação como de gente» (...)
(Foto do autor)


Segundo o autor das “Ilhas de Zargo”, «as Selvagens são denominadas por este nome, ‘por serem hermas, e desconversáveis assi de navegação como de gente, e com huns perigosos baixios, em distância de trinta léguas entre huma ou outra, as quais pode ser que sejam do número das doze’ que, segundo o historiador João de Barros, se dizem Canárias». Este ainda mais refere que, as Selvagens «em fins do século XVII, (…), faziam parte dum Morgadio administrado por uma família de Santa Cruz, da Madeira, do título genealógico Teixeira Caiado, ignorando-se os seus proprietários desde o tempo da colonização até aquela data. Em 1904, João Cabral de Noronha, descendente do morgado Cabral de Noronha vendeu-as ao banqueiro madeirense Rocha Machado, por cuja morte passaram à posse de seu filho, Luís da Rocha Machado, que guarda sobre elas o direito de coutada (…). A outros, se arrendam para caça e pesca, usufruindo-as também clandestinamente pescadores e caçadores canários da Ilha de Tenerife, seus próximos vizinhos».
O "carismático madeirense", Sr. João Borges, numa entrevista concedida ao semanário Tribuna da Madeira em Abril de 2003, com o título “Estado comprou as Selvagens ao banqueiro Rocha Machado”, por ocasião da visita oficial pelo então Presidente da República Dr. Jorge Sampaio às Selvagens, refere que, as «Selvagens pertenceram inicialmente a um cónego da freguesia da Sé, no Funchal. Depois, passaram para a família Cabral Noronha. Mas um dos membros da família (ao perder muito dinheiro no jogo), ficou com grandes dívidas. Para as saldar, decidiu entregar as Selvagens ao banqueiro Rocha Machado».
(...) «Na década de 1940, Luís Rocha Machado (que tinha herdado as ilhas do pai), passou a alugar as ilhas durante várias semanas a um grupo de pessoas que incluía Rufino de Menezes, o comandante Paços Gouveia e João Batata.
Todos os anos, na época em que as cagarras-bebés estavam gordas, o grupo ia até as ilhas para as apanhar. A ideia era extrair-lhes o óleo e guardar as penas e a carne para depois comercializar tudo.


Ninho de Cagarra
(Foto do autor)


Alexandre Zino - um grande apreciador de aves - acompanhava o processo. Um dia, vendo que os exploradores já começavam a perder o interesse pelas Selvagens, propôs ao grupo acabar com a matança. Procurou Luís Rocha Machado e conseguiu ficar como locatário das ilhas, proibindo a caça das cagarras.
Zino construiu nas Selvagens uma casa para estudar a vida das aves, tendo feito algumas descobertas curiosas, junto com dois investigadores do World Wildlife Fund (WWF). Zino teve sempre a intenção de tornar as ilhas una reserva natural, mas isso só aconteceu mais tarde, quando o Estado Português as adquiriu.
A aquisição das Selvagens pelo estado aconteceu no início dos anos 70 numa altura em que o World Wildlife Fund (WWF) manifestou o interesse pela compra das ilhas com objectivos científicos. Mas Luís Rocha Machado decidiu dar prioridade ao governo português.
Na cerimónia de aquisição estiveram presentes, o Governador da Madeira na altura, coronel Sobral, acompanhado do secretário de Estado do Tesouro, Costa André. Consta que foram vendidas por cerca de 1500 contos. Desde então as Selvagens pertencem ao Estado, tendo sido transformada em Reserva Natural.» Finalizou o Sr. João Borges, num artigo escrito pela jornalista Cármen Vieira, no citado semanário!
As Selvagens, foram classificadas como Reserva «até à batimétrica dos 200 m», através do Decreto-lei n.º 458/71, de 29 de Outubro, dirigida directamente pelo Serviço de Reservas e Parques Naturais, em Lisboa.


Selvagem Grande
(Foto do autor)



A 29 de Outubro de 2007, a Reserva das Ilhas Selvagens faz (fez), a aprazível idade de 36 anos, inicialmente como “Reserva” (Decreto-lei n.º 458/71, de 29 de Outubro) e depois classificadas como “Reserva Natural” (artigo 1.º do Decreto Regional n.º 15/78/M, de 10 de Março).


Selvagem Grande
(Foto do autor)





As Selvagens


O sub-arquipélago da Madeira


Enquadramento Geográfico - Geomorfologia e Geologia

As Ilhas Selvagens situadas no Atlântico Norte fazem parte integrante do Arquipélago da Madeira, e estão incluídas na divisão administrativa da Freguesia da Sé, concelho do Funchal. Geograficamente, as ilhas situam-se a cerca de 163 milhas, a Sul da Madeira e a cerca de 82 milhas, a Norte de Canárias. Coordenadas: 30°01'35" - 30°09'10" N / 15°52'15" - 16°03'15" W.


Carta Marítima - Selvagens
(Fonte, Instituto Hidrográfico)


Este pequeno arquipélago é constituído por dois grupos de ilhas e ilhéus, separados à distância de cerca de 11 milhas, entre as profundidades das batimétricas: 423 m, 323 m e 351 m, (ver carta marítima), e dispõe-se no sentido NE-SW. O grupo setentrional (NE) é constituído pela Selvagem Grande e dois Ilhéus adjacentes (o Palheiro da Terra e o Palheiro do Mar), e o grupo meridional situado a SW do anterior, é constituído pela Selvagem Pequena, conhecida por Pitão Grande, e Ilhéu de Fora, também conhecida por Pitão Pequeno, e os Ilhéus adjacentes a estas: Ilhéu Grande, Ilhéu do Sul, Ilhéu Pequeno, Ilhéu Alto, Ilhéu Comprido, Ilhéu Redondo e os Ilhéus do Norte. Estes dispostos em "arco", se assim se pode descrever, estão separados por um estreito braço de mar de baixas profundidades.


Selvagem Pequena
(Foto do autor)
*

As Selvagens, com cerca de 27 milhões de anos, mais antigas que o Porto Santo, Madeira e Desertas, são datadas geocronologicamente da época do Oligocénico, do período Paleogénico (Terciário).
Este grupo de ilhas e ilhéus e afloramentos rochosos constitui a parte imergida de um edifício vulcânico, pertencente ao “Hotspot de Canárias”, cuja base se encontra aproximadamente entre as batimétricas dos 3.000 e dos 4.000 metros de profundidade e que se foram construindo com as sucessivas erupções submarinas naquela área do Atlântico, sendo “aplanadas” pela erosão e sedimentação marinha. Segundo Carvalho e Brandão (Geologia do Arquipélago da Madeira-1991), «as Ilhas Selvagens estão geologicamente mais próximas das Ilhas Canárias que do restante Arquipélago da Madeira e que os três ilhéus principais das Selvagens encontram-se todos eles rodeados por recifes ou baixios maiores ou menores, alguns só visíveis na maré baixa». Estas, no seu conjunto têm uma área total de 281 ha de área terrestre.

Baía das Cagarras - “Filões calcáreos”
(Casa de Alexander Zino, à esquerda da Casa dos Vigilantes - Foto de José Santos)


O autor das “Ilhas de Zargo” refere que, as «Selvagens são atravessadas em vários sentidos por muitos filões de calcáreos, às vezes marmorizados, com espessuras que atingem mais de 1 m». Ainda mais refere que, as «Selvagens ligam-se todas pela curva batimétrica de 1.000 m, os Ilhéus de Fora, Pequeno, Comprido e os do Norte, pela batimétrica dos 20 m. Pela batimétrica dos 50, vemos que a erosão submarina tem actuado acima da batimétrica de 100 m, aproximadamente a 70 ou 80 m, construindo uma larga plataforma a Oeste, mas principalmente a N e a NE».


Selvagem Grande
(Foto do autor)


Selvagem Grande é «constituída por quatro conjuntos de formação, sendo o inferior constituído essencialmente por corpos vulcânicos intrusivos e extrusivos, predominantemente fonolíticos, o qual está sob uma formação composta essencialmente por sedimentos marinhos fossilíferos que, por sua vez, está sob uma camada essencialmente basáltica, sobre a qual se encontra um tapete de areias organogénicas calcárias amareladas», (Carvalho e Brandão, Geologia do Arquipélago da Madeira-1991).


Planalto - Selvagem Grande
(A cerca de 100 m de altitude - Foto de José Santos)


Selvagem Grande é a maior ilha e apresenta uma «forma pentagonal», com arribas altas em toda a sua costa, cortadas em declive precipitado do lado N, descaindo do planalto principal. As elevações mais altas desta Ilha, são o Picos dos Tornozelos, Inferno e Atalaia (sendo esta última a mais elevada, cerca de 163 metros), e delineiam-se vales muito largos, mas pouco profundos, pois os terrenos são mais ou menos planos. Esta, tem uma área de 245 ha e uma linha de costa de cerca 9.500 m. Na zona do planalto atinge o «seu maior comprimento de 2.000 m desde a Ponta do Risco até a Ponta de Leste, com a maior largura de 1.700 m da Ponta da Atalaia à Ponta Espinha e sobe a maior altura até cerca de 100 m. É completamente árida e desabrigada», segundo o autor das “Ilhas de Zargo”, e ainda mais refere, «que distinguem-se três costas nesta Ilha: a de leste, em forma de arco, alta (Pico dos Tornozelos) e de difícil ascensão, arenosa e rochosa; a costa de norte, rectilínea, também rochosa, alta e inclinada para o mar; a costa de oeste, alta, inacessível até o Pico da Atalaia, sendo mais suave e alcançável do lado da Ponta deste nome. Tem como ilhéus adjacentes o Palheiro da Terra e o Palheiro do Mar. O Palheiro da Terra, dista 850 m da Selvagem Grande a NW, e o Palheiro do Mar, situa-se a 1.500 m a WNW da Ponta do Risco e a 2.100 m a NW do Cabeço da Atalaia. No planalto, «o basalto das encostas é colunar».

Basalto Colunar - Selvagem Grande
(Foto de José Santos)


Na Selvagem Grande existem várias grutas, presumivelmente consequência de canais de lava vulcânicos, entre as quais, a da Baía das Pedreiras e a do Pico do Inferno. A primeira, a 2 m acima do nível do mar, tem cerca de 30 m de comprimento e 2 de altura.
A Selvagem Grande é a primeira Ilha que se emblema no horizonte, geralmente à distância de 24 milhas e até de mais, se o permitirem as condições atmosféricas. Desta também se pode observar o Pico de Teide em Tenerife. Tem um pequeno desembarcadouro situado na Baía das Cagarras onde se encontra a casa dos Vigilantes do Parque Natural da Madeira e de onde parte o acesso ao planalto.
Selvagem Pequena, também conhecida por Pitão Grande e o Ilhéu de Fora, igualmente conhecido por Pitão Pequeno, são os maiores ilhéus deste grupo insular, todos considerados primitivos focos vulcânicos. Sobre estes, Carvalho e Brandão (Geologia do Arquipélago da Madeira-1991) referem que, a Selvagem Pequena ou Pitão Grande «é constituída essencialmente por formações fonolíticas e basálticas, possuindo abundantes areias organogénicas calcárias, na sua parte central. O Ilhéu de Fora tem uma constituição geológica muito semelhante à da Selvagem Pequena».


Selvagem Pequena
(Foto do autor)


Selvagem Pequena ou Pitão Grande, com uma área de 20 ha, «tem uma forma bastante irregular, mede 800 m de comprimento e 500 m de largura». As suas arribas são baixas e rodeadas de algumas praias de areia e calhau rolado. A sua linha da costa pode medir 2.600 m na preia-mar e 6.300 na baixa-mar», segundo o autor das “Ilhas de Zargo”. A SE do Pico do Veado, existe um fundeadouro.
Nesta Ilha existe uma casa pré-fabricada (estação de vigilância), onde permanecem os Vigilantes do Parque Natural da Madeira, no período estipulado pelo mesmo.
O Ilhéu de Fora ou Pitão Pequeno, com uma área de 8,1 ha, «da qual só emergem 500 m de comprimento por 300 m de largura e coberta de areia», a sua superfície, também aumenta as suas dimensões na baixa-mar.
Em termos de relevo, todos os ilhéus das Selvagens são de pouca altitude, sendo os pontos mais elevados de cada um dos dois ilhéus principais, o Pico do Veado, na Selvagem Pequena ou Pitão Grande, com cerca de 49 metros e o Pitão Pequeno ou Ilhéu de Fora, com cerca de 18 metros. A grande extensão deste planalto insular, para N e W mostra como são «violentos os mares destes quadrantes» e certamente, estas ilhas tinham no seu passado dimensões bastante maiores.


Selvagem Grande
(Foto do autor)




Clima


Pela situação geográfica e a condição de ilhas, as Selvagens sofrem a influência oceânica, “condicionadas” pelas correntes do Golfo e das Canárias e pelos ventos alísios oriundos de Nordeste. O seu clima pode ser considerado tipo oceânico subtropical, como algumas zonas costeiras das ilhas de Canárias, (outros autores classificam-no de subtropical marítimo).
A baixa altitude, não favorece a condensação e as nuvens arrastadas pelos ventos, passam sem que haja precipitação. Ocasionalmente, são afectadas por tempestades que formam no Atlântico acompanhadas de ventos provenientes de Norte ou de Oeste, que provocam chuvas torrenciais acompanhadas de trovoada durante algumas horas.
Por vezes, os ventos de Leste e de Sul precedentes do continente africano carregados de poeiras e massas de ar quente recordam a proximidade do Deserto do Saara, aumentando as temperaturas e reduzindo a humidade do ar. As temperaturas rondam os 15 e 20 graus centígrados, no Inverno. A presença de numerosas conchas de moluscos terrestres, segundo os especialistas, indicam que no passado o clima destas Ilhas foi mais húmido do que nos dias de hoje.




Flora e Fauna Terrestre



Selvagem Grande
(Foto do autor)


Biogeograficamente as Selvagens fazem parte de Macaronésia, assim como, os arquipélagos da Madeira, dos Açores, das Canárias e de Cabo Verde.
vegetação da Selvagem Grande foi outrora usada com fins comerciais através da apanha da urzela, líquenes do género Nemaria que eram exportados para a Europa.
Cultivou-se também, na Selvagem Grande outras espécies vegetais com fins comerciais particularmente osumagre (Rhus Coriaria) e o pastel (Isatis Praecox). Presentemente encontra-se em fase de recuperação os seus endemismos, após a retirada desta flora exótica e dos herbívoros (Coelhos) e roedores (Mus barbarus e Mus musculus), introduzida no passado, intencionalmente os primeiros e os segundos acidentalmente.
Selvagem Pequena ou Pitão Grande e o Ilhéu de Fora ou Pitão Pequeno, constituem habitats únicos, com os ecossistemas inalterados. Estas ilhas por serem inóspitas, não criaram condições de colonização por parte do homem e ao que parece nunca ocorreu a introdução de herbívoros.
A flora terrestre das Ilhas Selvagens, na sua generalidade é de porte rasteiro, e reveste-se de um grande interesse científico. Esta compreende «cerca de 105 plantas vasculares distintas, das quais 11 são endémicas destas ilhas. Alguns exemplos são: Scilla maderensis var. melliodoraArgyranthemun thalassophilumLobularia canariensis ssp. rosula-venti e Euphorbia anachoreta». Esta última espécie surge unicamente no Ilhéu de Fora, (fonte, Parque Natural da Madeira). A vegetação das Selvagens tem mais afinidade com as Canárias do que com a Madeira.

(Pequena gruta com ninho de Cagarra - Foto de José Santos)


As Ilhas Selvagens têm uma grande importância ornitológica. É uma das mais importantes colónias de aves marinhas do Atlântico. São um “santuário de nidificação” de aves que desfrutam condições peculiares e únicas.
A fauna vertebrada é representada por «8 espécies pertencentes a 3 famílias: Procelariidae (5 espécies),Laridae (2 espécies) e Motacillidae (1 espécie)».
Nas Selvagens existe a «maior colónia de Cagarras Calonectris diomedea borealis do Mundo, com uma população recentemente estimada em cerca de 18.000 casais».
A mais numerosa ave das Selvagens é «o Calcamar (Pelagodroma marina), com uma população superior a 40.000 casais. As outras aves marinhas são: Alma negra (Bulweria bulwerii), Roque de Castro (Oceanodroma castro) e o Pintainho (Puffinus assimilis) Garajau comum (Sterna hirundo) e Gaivota de patas amarelas (Larus cachinnans), estas duas anteriores, inferiores a 50 casais.



Corre Caminhos
(Única ave residente na Selvagem Grande, a merendar a “ração do fiel companheiro” dos Vigilantes do Parque Natural - Foto de José Santos)


A única ave residente que pode ser encontrada durante todo o ano, é o Corre Caminhos (Anthus bertheloti bertheloti), considerada uma sub-espécie com características iguais à espécie que se encontra nas Ilhas Canárias, mas é diferente da existente no Arquipélago da Madeira».
Na Selvagem Pequena (onde não existem aves terrestres), evidencia-se «a grande colónia de Calcamar (Pelagodroma marina ) e a nidificação ocasional de Gaivina-rosada (Sterna dougallii) e de Gaivina-de-dorso-preto (Sterna fuscata)», (fonte, Parque Natural da Madeira).
As outras espécies de vertebrados destas ilhas são a osga (Tarentola boettgeri bishoffi) e a lagartixa (Lacerta duguessii), endemismos da Macaronésia.
Nestas ilhas existe um apreciável número de invertebrados endémicos, com uma elevada percentagem de insectos endémicos, sobretudo coleópteros e lepidópteros.
Por curiosidade, um coleóptero (Deuchalion oceanicus), espécie de escaravelho, endémico do Ilhéu de Fora, vive unicamente associado à Euphorbia anachoreta, planta também endémica, (fonte, Parque Natural da Madeira).




Ilhas Selvagens - Importância no Passado e no Presente




Selvagem Pequena
(Foto de José Santos)


Referindo novamente a notícia por 1459/60 (pela última vez da Guiné, ao meio das ilhas Canarias e a da Madeira), de Diogo Gomes sobre as Ilhas Selvagens, “De insulis primo inventis in oceano occidentis”, «as caravellas do senhor infante descobriram esta ilha e descendo em terra acharam muita urzella, que é uma herva que tinge os pannos de côr rubra, e acharam-na em grande abundancia. Depois, alguns pediram ao senhor infante que lhes desse licença para irem alli com as suas caravellas e podessem transportar a urzella a Inglaterra e Flandres, onde tem grande valor». O «senhor infante deu-lhes licença, com a condição de lhe darem a quinta parte do lucro, o que fazem».
Segundo o autor das “Ilhas de Zargo”, o valor atribuído à urzela devia-se à sua aplicação na tinturaria, “tingindo-se os panos de cor rubra”. «Este líquen existe no arquipélago madeirense como planta espontânea, tendo-a encontrado o navegador Diogo Gomes, nas referidas Ilhas Selvagens» (…). «Desde essa época vegetam três espécies de urzela: Nemaria fuciformes e N. rocella, abundantemente nas Desertas; N. fucoides na Madeira, onde vegetam também as outras espécies, assim como no Porto Santo. É uma planta de meio restricto, naturalizada nas rochas da beira-mar, mais expostas ao sol, aglomerada em tufos de cor cinzento-pardacenta, e geralmente em locais tão inacessíveis que Gaspar Frutuoso, querendo mostrar os trabalhos, perigos e mortes causadas pela construção das primitivas levadas ou canais de irrigação cortadas em rochas escarpadas e sobre abismos de centenas de metros de profundidade, escreveu que 'os homens trabalhavam nelas em cestos amarrados com cordas, pendurados pela rocha, como quem apanha urzela'».
A aplicação deste líquen à tinturaria fazia-se depois de «convenientemente preparado com adicionamento de urina para o curtimento, (uma vez) libertada do amoníaco pela acção da cal, e reduzida a uma pasta de consistência sólida, tendo a coloração violeta avermelhada».



Sumagre
(Rhus Coriaria - foto do autor)


Continuando o mesmo autor, (...) «tomou tanto incremento o comércio de urzela no arquipélago madeirense que suscitou uma legislação especial, constituiu monopólio do Estado, foi empresa de contratadores e traficância de contrabandistas quando, por protecção à urzela de Cabo Verde, se desacreditou intencionalmente a da Madeira, depois de aceita e preferida em toda a Europa como a melhor no mercado; e proibiu-se a sua exportação com grande prejuízo dos Municípios». (…). «Nem a qualidade do produto, nem as providências dos Governadores resolveram o problema, porque o trabalho dos negros em Cabo Verde e a Descoberta das anilinas na Europa deram o golpe de morte na urzela da Madeira retirando a importância comercial da também colhida nas Selvagens».
Um outro produto natural de igual riqueza comercial na Europa, referindo-se novamente o autor das “Ilhas de Zarco”, a «partir do século XV, que também valorizou as Ilhas Selvagens, foi o pastel (Isatis Praecox), planta glauca, de cujas folhas se extraía um líquido azul empregado na coloração de panos comerciais. Teve o pastel muito emprego no continente europeu desde João Gonçalves Zargo. Exportava-se, já seco ao sol ou amassado em bolas depois de sua fermentação». Por outro lado, também, o «grupo das Selvagens foi outrora muito conhecido e explorado pela abundante produção de sumagre (Rhus Coriaria), arbusto da família das Anacardiaceas, naturalizado no Arquipélago da Madeira. Empregava-se esta planta no curtimento de couros e peles destinados à indústria de calçado corda vão de origem mourisca e muito usado pelo povo. O curtume daqueles produtos animais (peles) fazia-se com as folhas e casca do sumagre. Era grande o consumo de sumagre na Europa».
As Ilhas Selvagens antigamente, eram abundantes em gado caprino, entre os «animais úteis ao homem, aves e coelhos, estes de raça pequena, vulgar mas muito apreciados pelo sabor da sua carne. A caça anual, que tem lugar no mês de Setembro, produz uma dezena de barricas de carne salgada e umas centenas de peles, cujo colorido varia entre o amarelo-areia ao cinzento-turvo pardacento».
A espécie de ave que era mais caçada nas Selvagens era a Cagarra (Calonectris diomedea borealis) Palmipede indígena, da família Procelárida. É ave marinha que emigra de Outubro a Novembro, para voltar em fins de Fevereiro ou princípio de Março e procriar em Junho.), «cuja prodigiosa multiplicação anual é a única e maior riqueza daquele grupo insular».



Cagarra
(Foto de José Santos)


O ornitólogo Padre Ernesto Schmitz (1845-1922) escreveu, segundo o autor das Ilhas de Zargo, que apesar de «serem caçadas anualmente umas 20 a 22.000, a população não diminui, o que prova a sua grande densidade. Devem, portanto, exceder o total de 60.000, porque cada Cagarra põe apenas um ovo por ano, e é necessário haver pelo menos 40.000 para uma reprodução anual de 20.000. Em parte alguma do mundo existe tamanho número de Cagarras».
O Elucidário Madeirense refere que à Cagarra, «fazem-lhe caça em todas as ilhas, mas principalmente nas Desertas e Selvagens que a captura se torna rendosa, (…) pelo numero de indivíduos novos caçados anualmente nas Selvagens por homens de S. Gonçalo e Caniço, que ali vão nesse especial propósito. A cagarra, depois de salgada, trazida para a Madeira, onde a vendem de preferência às classes pobres, que muito a apreciam, a pesar do acentuado ressaibo a peixe e do caracter oleoso da sua carne. Os caçadores das Selvagens também lhe chamam pardela, à semelhança dos espanhóis das Canárias».
Para além da caça feita a esta ave, Luís da Rocha Machado, filho do antigo proprietário das Selvagens, concedeu em 1939, à firma industrial Leacock & C.º, sedeada no Funchal, a exploração de adubo de cagarra, abundante na Selvagem Grande, para fabricação de guano.
Na década dos anos sessenta do século XX (cerca de 1966), «nenhum interesse a mais oferecia as Ilhas Selvagens que caça e pesca». Embora no entanto, era «um dos pontos mais falados do arquipélago e objecto de particular atenção de ambiciosos e aventureiros», segundo o autor das “Ilhas de Zargo”. Contudo, as Selvagens além do interesse económico para os seus proprietários nos séculos anteriores foram alvo das comunidades científicas de toda a Europa e motivo de várias expedições carácter geológico, botânico e zoológico.
Assim, o mesmo autor refere que «em Agosto de 1963 a bordo do baleeiro Persistência, uma digressão de cientistas europeus (...), foi explorar as Selvagens apoiado pela Imperial Chimical Industries de Londres e com o auxílio da Câmara Municipal do Funchal.
(...) «Participaram nesta missão representantes do Museu Nacional de História Natural de Paris, do Centro Nacional de Vulcanologia de Bruxelas, do Museu Britânico de Londres e do Instituto Zoológico da Universidade de Giessen. Transportaram-se às Selvagens estes cientistas de renome, feito no mundo: Marjorie Pickering, botânico; Thomas Tams, ornitólogo; Joseph Honorez, geólogo; Dr. Meinel, biólogo; Erick Weinreick e Gunther Maul, ictiólogos. Este último, sobejamente conhecedor da vida marina das águas madeirenses, cientista de nome feito por estudos e descobertas, é geralmente o condutor-apoio das missões que aportam ao Funchal e o criador do Museu Municipal do Funchal ».
Igual missão às Ilhas das Selvagens, foi realizada em Outubro de 1968, pela Sociedade Francesa de Protecção da Natureza, com os cientistas Cristian Jouanin da Sociedade Francesa, Francis Roux do Centro Francês da Migração das Aves, ambos do Museu de Paris. Esta missão, foi transportada bordo do Navio Hidrográfico «Pedro Nunes», da Marinha de Guerra Portuguesa, e foi chefiada pelo Professor Santos Júnior da Universidade de Ciências do Porto. Estas expedições, foram acompanhadas e "incentivadas" pelo arrendatário das ilhas, Paul Alexander Zino, madeirense e defensor entusiasta das colónias de aves marinhas do Arquipélago da Madeira, que como já foi referido anteriormente, tinha “despertado” a protecção e o interesse das mesmas, por parte da World Wildlife Fund (WWF).



Baía das Cagarras
(Foto do autor)


O Estado Português em 1971, adquiriu as Ilhas e instituiu o estatuto de Reserva nesse mesmo ano através do Decreto-lei n.º 458/71, de 29 de Outubro. Desta forma as Selvagens passaram a ser uma Reserva, "essencialmente ornitológica", como uma das mais importantes áreas de nidificação de aves marinhas de todo o Atlântico Norte.
No período de mudança de regime político em Portugal (1974/75), as Selvagens foram também “alvo desta época revolucionária” da história do País, não sendo imunes aos "excessos" próprios deste período. Assim, populares "conhecedores das ilhas" em embarcações de pesca desembarcaram na Selvagem Grande e destruíram as casas existentes. Estes, alegando chavões políticos relacionados com o direito à propriedade, exigiam a liberdade da apanha das cagarras, não licenciada nem autorizada por força da lei da Reserva Natural, foram impedidos pela acção de Paul Alexander Zino e dos guardas que este tinha contratado na altura.
Em 1976, foram realizadas várias "expedições de caça" a estas ilhas, que dizimaram a população de Cagarra então existente, tendo sido abatidos juvenis e adultos indiscriminadamente.
Com o processo autonómico as Ilhas Selvagens passaram a ser geridas pelos órgãos de governo próprio da Região Autónoma da Madeira. Assim, em 1977 é construída uma casa de abrigo para os vigias do Parque Natural, os quais entram em funções nessa altura. Refere-se que o Parque Natural foi dirigido directamente pelo Serviço de Reservas e Parques Naturais, em Lisboa, até à constituição da Direcção Regional dos Parques Naturais da Madeira.
Em 1978 a Assembleia Regional da Madeira aprovou o Decreto Regional n.º 15/78/M, de 10 de Março, que foi alterado pelo Decreto Regional n.º 11/81/M de 15 de Maio, a qual definiu as Ilhas Selvagens “Reserva Natural”, não só o território destas, como também fundos marinhos até à batimétrica dos 200 metros, com as seguintes proibições:

1) A realização de quaisquer trabalhos, obras ou actividades profissionais sem autorização do Governo Regional;
2) A utilização de fundeadouros fora das zonas especialmente destinadas a esse fim;
3) O acesso de pessoas, excepto mediante autorização do Governo Regional, que a concederá apenas para fins de estudo, de resolução de problemas técnicos ou a visitantes acompanhados por pessoas devidamente credenciadas, ou em estado de necessidade;
4) A introdução de veículos terrestres, excepto mediante autorização do Governo Regional;
5) O sobrevoo por aeronaves a altitude inferior a 200 metros, excepto em operações aéreas necessárias ao funcionamento da reserva ou em estado de necessidade;
6) A introdução de espécies animais ou vegetais terrestres, a colheita, captura ou perturbações dos existentes, bem como a apanha de espécies vegetais marinhas, exceptuados os casos regularmente previstos;
7) A colheita de material geológico ou arqueológico ou a sua exploração sem autorização do Governo Regional;
8) A pesca de arrasto e outras artes que colidam com o fundo até à batimétrica fixada pela reserva, ressalvando-se as artes de anzol e rede;
9) A utilização para fins comerciais de aparelhos de fotografia, filmagem e radiodifusão sonora ou visual sem autorização do Governo Regional.




Casa dos Vigilantes - Selvagem Grande
(Foto do autor)


Em 1982, o Serviço do Parque Natural da Madeira foi criado pelo Decreto Regional n.º 14/82/M, prevendo o n.º 1 do seu artigo 5º, que o mesmo ficaria na dependência da Secretaria Regional de Agricultura, Florestas e Pescas, ficando as Selvagens como Reserva Natural a ser geridas e apoiadas por este serviço, com a regulamentação do Decreto Regulamentar Regional n.° 13/93/M (que aprovou a orgânica do Serviço do Parque Natural da Madeira, que dentro da sua "natureza e competências" apoia as "reservas naturais das ilhas Desertas e Selvagens, do Garajau, bem como as que venham a ser futuramente criadas").
O excelente e efeciente trabalho de conservação da Natureza, desenvolvido nas Selvagens, por parte do Serviço do Parque Natural da Madeira, veio garantir a evolução favorável das colónias de aves marinhas nidificantes e a manutenção das frágeis comunidades florísticas da Selvagem Pequena e Ilhéu de Fora. Em resultado, às Selvagens foi-lhes atribuído o Diploma Europeu do Conselho Europa para Áreas Protegidas em 1992, sendo a única reserva portuguesa galardoada com este diploma. Através da Resolução nº 65/1997 do Comité de Ministros do Conselho Europeu, foi-lhes atribuída a categoria "A " deste Diploma Europeu.
As Selvagens estão contempladas na categoria de “Protecção de Áreas Naturais” do Plano de Ordenamento do Território da Região Autónoma da Madeira (POTRAM), publicado no Decreto Legislativo Regional n.º 12/95/M, de 24 de Junho.
Por proposta da Região Autónoma da Madeira no âmbito da Directiva Habitats, (Resolução n.º 1408/2000, de 28 de Setembro, do Governo Regional da Madeira), as ilhas Selvagens passaram a integrar a Rede Europeia de Áreas Protegidas, denominada “Natura 2000”. Esta rede europeia de sítios protegidos, resulta da aplicação de duas directivas Comunidade Europeia: a Directiva Aves (Directiva 79/409/CEE), que protege todas as espécies de aves selvagens do território comunitário e a conservação dos seus habitates, através da criação de Zonas de Protecção Especial (ZPEs) e a Directiva Habitates (Directiva 92/43/CEE), que tem em vista a protecção das espécies de fauna e flora, que não são abrangidas pela directiva anterior, através da criação de Zonas Especiais de Conservação (ZECs). Por outro lado, a Rede Natura 2000 «pretende proteger as espécies e habitates naturais ameaçados da Europa e conduzi-los para um bom estado de conservação». Assim, competiu a cada Estado membro elaborar uma Lista Nacional de Sítios (Portaria n.º 829/2007, de 1 de Agosto), para integração na RN2000. Estes Sítios de Importância Comunitária, que integram esta rede, foram aprovados pela Comissão (Decisão n.º 2002/11/CE), a 28 de Dezembro de 2001, nos termos da Directiva 92/43/CEE do Conselho Europeu, cujo anexo I identifica nas ilhas Selvagens vários habitats:

- Bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda;
- Lodaçais e areias a descoberto na maré baixa;
- Enseadas e baías pouco profundas;
- Falésias com flora endémica das costas macaronésicas;
- Formações baixas de euforbiáceas junto a falésias.

Concluindo, as Ilhas Selvagens têm a seguinte Protecção legal:
- Nacional e Regional: Reserva Natural das Ilhas Selvagens (Decreto n.º 458/71 de 29 de Outubro, alterado pelo Decreto regional n.º 15/78/M de 10 de Março, que inclui a IBA). ZPE Ilhas Selvagens (PTSEL0001, Resolução do Governo Regional n.º 1408/2000, também inclui a IBA). Esta legislação, "materializa-se" através do DecretoLegislativo Regional n.º 5/2006/M que adapta à Região Autónoma da Madeira o Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de Abril, alterado pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro, que procede à revisão da transposição para o direito interno das directivas comunitárias relativas à conservação das aves selvagens (directiva aves) e à preservação dos habitats naturais e da fauna e da flora selvagens (directiva habitats). (Jornal Oficial, Número 20 I Série, Quinta-feira, 2 de Março de 2006).
- Internacional: ZPE Ilhas Selvagens; SIC Ilhas Selvagens (PTSEL0001). Diploma Europeu de Áreas Protegidas do Concelho da Europa.



Navio Patrulha da República Portuguesa (NRP)
(Foto do autor)


Coincidindo com a celebração dos 30 anos da criação da Reserva Natural das Ilhas Selvagens, em 2001, a Região Autónoma da Madeira formalizou a candidatura desta Reserva Natural, a Património Mundial Natural da UNESCO. Esta candidatura posteriormente foi retirada em Maio de 2004 (Resolução n.º 735/2004 - o Governo Regional da Madeira, solicita ao Governo da República a retirada, para reformulação, da candidatura das Ilhas selvagens à Lista do Património Mundial da UNESCO).
Em 2002 foi iniciado um projecto com vista a erradicação de todas as espécies introduzidas na Selvagem Grande numa tentativa de recuperação ao seu “habitat natural”.
A fiscalização e apoio à Reserva Natural das Ilhas Selvagens é prestado pela Marinha de Guerra Portuguesa a qual é de referir que os serviços prestados à Região Autónoma em geral, e as Selvagens em particular, têm sido relevantes e meritórios. Com o apoio do Navio da Marinha, os Vigilantes do Parque Natural, são rendidos de acordo com as necessidades de vigilância previstas, pela Direcção do Parque Natural da Madeira.
As Ilhas Selvagens, pela sua localização ( aproximadamente até ao Paralelo dos 29º e 15', Norte, confinante com a ZEE do Arquipélago das Canárias), assumem particular importância para a Região Autónoma da Madeira assim como para Portugal (!). Estas embora sendo um sub-arquipélago diminuto, permite o aumentosignificativo da Zona Económica Exclusiva Portuguesa e assim acréscimo das possibilidades de exploração de recursos marinhos (pesca) ou não marinhos que ainda não são conhecidos (?).
É a Zona Económica Exclusiva que mais interessa à Região Autónoma da Madeira e a Portugal pelo interesse geoestratégico na Europa e no Mundo.


- Assim sendo, deseja-se que as Salvages continuem Selvagens!





Idem - foto anterior



Por qualquer vizinhança se faz uma fronteira. O muro, a vedação, a cancela e o marco impõe os “limites” a familiares, vizinhos e amigos com um historial comum ou não (!?). Faz parte da natureza humana!
O território e o espaço comum, já no passado da sociedade humana de colectores/caçadores, eram demarcados e defendidos. Assim tanto nesse passado com nos dias de hoje este procedimento é semelhante e natural, como a própria essência do “existir” e do “ser”!




A questão do Farol e da Soberania das Selvagens




Selvagens
(Foto do autor)


As Selvagens e os seus ilhéus foram sempre um obstáculo à navegação naquela área do Atlântico. A navegação nestas águas é extremamente perigosa, devido à existência de numerosas ilhotas e rochedos submersos a baixa profundidade, que “afiaram” com o efeito da ondulação ou da maré. Houve sempre a necessidade assinalar a presença das ilhas naqueles mares por força das rotas de navios que demandavam às Canárias e para o Hemisfério Sul, ou vice-versa.
Segundo o Comandante Teixeira de Aguilar, na sua obra “Faróis da Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens”, esta questão da segurança marítima e necessidade de construir um Farol nas Selvagens partiu por iniciativa do «país vizinho, em 1881, propondo que Portugal arcasse com metade das despesas decorrentes», e mais referia o texto que «dos antecedentes que existe no Ministério do Estado em Madrid, deduz-se claramente que não está determinado se a soberania da ilha pertence a Espanha ou a Portugal».
O Governo Português, depois do parecer da Comissão de Faróis e Balizas, concordou com a construção do farol, sem pôr cm causa a soberania nas ilhas.
Entretanto o proprietário das ilhas naquela época, Constantino Cabral de Noronha, emanou uma carta, onde manifestava, que «o governo espanhol deveria celebrar com ele e com os seus herdeiros um contrato para salvaguardar eventuais prejuízos».
Pelo ano de 1887, o ministro de Estado de Espanha declarou concordar com a proposta do Governo Português e a 6 de Outubro de 1911 emanou outra resposta, dando conta que as «ilhas se consideram para todos os efeitos como compreendidas entre o arquipélago canário, portanto, a Chefia de Obras Públicas das Canárias e a do Serviço Central de Sinais Marítimos providenciarão de comum acordo a localização do farol».
A reacção do Governo Português não se fez esperar, pela «manifesta confusão» do Governo de Espanha, e em resposta, Lisboa ouviu de Madrid que estavam «dispostos a tratar da questão das ilhas nos mais amigáveis termos».
Em 1912, comunicava o ministro espanhol que seria tratada esta questão, reivindicando os direitos daquele país.
A construção do farol ficou suspensa por falta de diálogo. Mas o curioso, é que, foram dadas instruções ao ministro da Marinha para «nada se praticar de definitivo com respeito á aquela farolagem enquanto se encontrar pendente a discussão entre os dois países sobre a propriedade das ilhas». Ou seja, «deduz-se que haveria dúvidas, mesmo ao nível governamental» por parte de Portugal, sobre a soberania das Selvagens, (Referência - Jornal da Madeira, 14 de Outubro de 2001).
A Comissão Permanente de Direito Marítimo Internacional atestou a soberania das ilhas em 1938 e foi colocado no planalto da Selvagem Grande, um marco Astronómico pela Missão Hidrográfica das Ilhas Adjacentes, neste mesmo ano. Esta Comissão de Direito Marítimo Internacional foi criada em 2 de Abril de 1924, «com objectivos da maior relevância no domínio do direito internacional marítimo e, em especial, com a vantagem de assegurar, por meio dela, a presença portuguesa no Comité Maritime International, com sede em Bruxelas, e ainda como meio propulsor em matéria legislativa relacionada com a actualização do direito marítimo interno».
Na década de setenta do século anterior deu-se naufrágios de navios junto às Selvagens por falta de “farolagem” destas ilhas. A responsabilidade de Portugal pela segurança marítima daquela área, foi posta em causa.
A 6 de Junho de 1977 foi instalado o farol na Selvagem Grande (no cimo do Pico da Atalaia, Lat. 30º 08’.60 N, e Long. 15º 52’.18 W) e a 17 do mesmo mês, o da Pequena (no cimo do Pico do Veado, Lat. 30º 02'.04 N e Long. 16º 01’.56 W).
A instalação foi efectuada pela Direcção de Faróis da Marinha, que presentemente é um organismo da Direcção-Geral da Autoridade Marítima, integrado no Ministério da Defesa Nacional.
A questão da soberania das Ilhas Selvagens foi sempre alvo de dúvidas (?), que actualmente, certamente estarão ultrapassadas pelo respeito mútuo e pelo direito internacional. Por laços históricos comuns, os Arquipélagos do Atlântico sempre estiveram e estarão ligados pelo MAR que os une.




“Uma Notícia Curiosa”




Selvagem Grande
(Foto do autor)



(…)
«Una noticia sumamente curiosa por muchos motivos es la que aparece en el “Correo de Tenerife” número 17 de 10 de Noviembre de 1808, y que dice lo siguiente»:
«AVISO. La persona a quien acomode comprar las dos Islas llamadas Salvajes que pertenecen en propiedad libre a la familia portuguesa y casa de Cabral en la Isla de la Madera, puede dirigirse al Presbítero D. Miguel Cabral de Noroña, Capellan de Ejercito, residente en la Ciudad de La Laguna Capital de Tenerife, que este dirá con quién ha de tratarse, y en que terminos», (sic).
Fonte, Madeira y Azores en los Primeros Periodicos Canarios (1750-1850), Juan José Laforet. Real Sociedad Económica de Amigos del País de Las Palmas.
(…)




A Lenda das Selvagens


Selvagem Grande
(Foto de José Santos)



As Ilhas de Arguím desconhecidas da maior parte dos madeirenses, sempre contribuíram e alimentaram o “sebastianismo insular”, na visão das ilhas encantadas na salvação e refúgio de El-Rei D. Sebastião. Mas as Selvagens e o seu tesouro e as suas raridades ocultas contribuíram para a internacionalização destas Ilhas do Atlântico.




(Nau Santa Maria de Colombo - no Porto do Funchal)




O Tesouro do Pirata Kid - o Temerário



(…)
«Um fabuloso tesouro pertencente à catedral de Lima, no Perú, escondido, nas Selvagens, pelo pirata Kidd, o Temerário. Levou-o àquelas paragens um navio espanhol vindo de Baltimore (E. U. A.), que o saqueou e a três navios mexicanos, e naufragou perto das Selvagens.
O único sobrevivente expirou nas Canárias, revelando à hora da morte, a um marinheiro inglês, o segredo de que fora testemunha e também agente. O inglês, como bom patriota, não se conteve, ao regressar a Londres, de comunicar o facto ao Departamento da Marinha. Desde então sucederam-se as pesquisas nas Selvagens que foram cavadas e revolvidas pelos Morgados, seus primitivos donos, e por inúmeros argonautas e aventureiros. A. Mellersh, comandante da corveta inglesa “Rattler”, por exemplo, esteve quatro vezes nas Selvagens, nos anos de 1848 a 1851, à procura do velo de ouro tão cobiçado, em cuja empresa gastou umas 3.000 libras esterlinas. O próprio Almirantado inglês participou nesta tentativa, mandando a corveta “Myrmidow” fornecer água aos exploradores. O insucesso levou Mellersh a escrever ao cônsul britânico no Funchal, a 22 de Novembro de 1851, que ‘têm sido feitas escavações em ambas as Ilhas (Pitão Grande e P. Pequeno), e acho poucas probabilidades de encontrar o tesouro, não obstante crer bem que ele esteja aqui enterrado.
Com a certeza desta realidade passou na Madeira, em 1923, o explorador inglês Sir Ernest Shakleton que, dirigindo-se ao Polo Sul, procurou, no Funchal, Luís da Rocha Machado, proprietário das Selvagens, a quem pediu autorização para pesquisar aquelas Ilhas, no regresso da sua viagem polar, dizendo-se portador de dados descobertos no Ministério da Marinha relativos ao tesouro de Kid. A morte surpreendeu Shakeiton em viagem, e o tesouro continuou sepultado no fundo pitoresco da lenda ou da esperança duma ilusória realidade.
Outros exploradores, nacionais e estrangeiros, têm demandado as Selvagens com igual fito e trazido de lá a mesma decepção.»
(…)

In Ilhas de Zargo


- O tesouro ainda continua nas Selvagens!?




Sub-arquipélago das Selvagens - Canárias
(Foto by web)











Post-Scriptum:

Códigos Postais das Ilhas Selvagens:

Selvagem Pequena
9000-900 FUNCHAL

Selvagem Grande
9000-900 FUNCHAL

Visitas à Reserva Natural das Ilhas Selvagens são condicionadas. Os pedidos são solicitados ao Parque Natural da Madeira.

Bibliografia:

Elucidário Madeirense, Edição de 1946, Padre Fernandes Augusto da Silva e Carlos Azevedo; Ilhas de Zargo de Eduardo C. N. Pereira, 4ª Edição-1989; Ilhas de Zargo-Adenda de Ângela Borges Gonçalves e Rui Sotero Nunes; Instituto Hidrográfico; HIDROMAR, Boletim do Instituto Hidrográfico N.º 75, Jan/Fev 2003; Flora Endémica da Madeira-Roberto Jardim e David Francisco; A Conservação e Gestão das Aves do Arquipélago da Madeira-Parque Natural da Madeira-Paulo Oliveira; Oferta Turística e Relação Turismo – Ambiente na Região Autónoma da Madeira - (3.4. Ambiente Natural) - Ana Mafalda Amador Garcia da Fonseca, Funchal, 2006-Universidade da Madeira).

27.5.09

Jornal da Madeira Região / 2009-05-27
Jaime Gama nas Selvagens pela primeira vez
Indiscutivelmente portuguesas e motivo de orgulho 
Jaime Gama esteve nas Selvagens pela primeira vez. Foi acompanhado por alguns deputados da Comissão de Defesa Nacional da Assembleia da República. Para garantir, uma vez mais, a soberania nacional das ilhas mais a sul do país.
«O trabalho que aqui é feito tem grande valor para a preservação da biodiversidade e tem um grande sentido para to9dos aqueles que do ponto de vista científico queiram aqui estudar espécies endógenas».
As palavras foram de Jaime Gama, presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, que ontem esteve, pela primeira vez, nas Ilhas Selvagens, a parcela portuguesa mais a sul e que se localiza no arquipélago da Madeira.
Para Gama, esta reserva natural, a mais antiga do país, tem sido objecto de uma intervenção muito apropriada por parte das autoridades da Região Autónoma da Madeira, sendo «para nós motivo de orgulho e razão de afirmação de presença nestas ilhas que, indiscutivelmente, pela História e pelo Direito Marítimo são, desde há muito séculos, uma pertença portuguesa, hoje parte integrante da Região Autónoma da Madeira».
As ilhas Selvagens, recordou o presidente do parlamento nacional, foram consideradas por Jacques Cousteau, um dos mais famosos oceanógrafos do mundo no século XX, pois disse que aquelas águas eram as mais límpidas que alguma vez vira.
Acompanhado de quatro membros da Comissão de Defesa Nacional do Parlamento, Jaime Gama pisou o território com o seu Chefe de Gabinete, o Almirante Chefe de estado Maior da Armada, Almirante Fernando Melo Gomes, o Comandante Naval, Saldanha Lopes e um reduzido grupo de jornalistas,
A receber o presidente do parlamento nacional estava o anfitrião, Manuel António Correia, secretário regional do Ambiente e dos Recursos Naturais, que esteve pela segunda vez na ilha, exactamente um ano depois da primeira viagem, feita a 21 de Maio de 2008.
A visita decorreu durante cerca de duas horas, numa altura em que havia poucas cagarras na ilha, mas que foram suficientes para que o presidente se inteirar da importância da manutenção da reserva mais antiga do país, que alberga a mais emblemática colónia do Atlântico daquelas aves, mas que albergam, também, outras espécies, inclusivamente onze endémicas, ao nível das plantas.
A comitiva chegou à Selvagem Grande por volta do meio-dia, mas o pouco tempo que ali esteve deu para perceber, uma vez mais, que as Selvagens são para continuar a proteger, designadamente pela incontornável questão da soberania nacional, que vem desde há muitos anos a significar mais recursos da Zona Económica Exclusiva madeirense. 


Fuzileiros voltam à reserva 
Marinha mantém a ordem 

Os fuzileiros vão voltar às Selvagens. A notícia foi dada, ontem, em conjunto, pelo Almirante Fernando Melo Gomes, que revelou que, dois anos depois, aquele Corpo vai voltar a fazer vigilância no território, para ajudar os vigilantes da Natureza a manter a ordem, uma medida «profilática» que vai garantir, como auxílio aos vigilantes da Natureza.
Melo Gomes prometeu que este paraíso natural vai continuar a contar com a Marinha, seja no transporte dos técnicos do Parque Natural da Madeira, ou na vigilância das águas mais a sul.
O Almirante revelou que a manutenção da ordem não significa que tenha havido desordem, mas garantiu, por outro lado, que o apoio daquele ramo vai chegar mais longe, nomeadamente ao nível do transporte de material para as obras da Selvagem Pequena, podendo isso passar por uma lancha de desembarque que leve tudo o que seja preciso para que se garantam melhores condições aos vigilantes que permanecem na ilha vários meses durante o ano.
Mas Melo Gomes também referiu que esta visita serviu para encontrar a sua «afilhada», a cagarra “Marinha”, que estava a ser concebida no ano passado, aquando da sua última visita à ilha e que nasceu em Julho, tendo tido direito a notícia, inclusivamente na Revista da Armada. 



Miranda Calha, Correia de Jesus, António Filipe e João Rebelo foram os quatro deputados da Comissão de Defesa Nacional que estiveram na Selvagem Grande e que desceram e subiram os cerca de cem metros de escarpa. Também assinaram o postal que enviaram a partir do subarquipélago mais a sul do país, mas desta vez, em vez do tradicional brinde com «Vinho Madeira», escolheram água, até porque o regresso ao planalto era difícil, para sair de helicóptero em direcção à fragata mais recente da Armada Portuguesa. As broas de mel é que foram apreciadas, uma vez mais… 

23.5.09

Madeira: Visita de Jaime Gama


Madeira: Marco de correio mais a sul de Portugal, nas Selvagens, é usado sobretudo por coleccionadores

Funchal, 23 Mai (Lusa) - Nas Ilhas Selvagens, o sub-arquipélago mais a sul do território de Portugal que será visitado terça-feira pelo presidente da Assembleia da República, existe um marco de correio que é procurado sobretudo por coleccionadores de selos.

Lusa

Funchal, 23 Mai (Lusa) - Nas Ilhas Selvagens, o sub-arquipélago mais a sul do território de Portugal que será visitado terça-feira pelo presidente da Assembleia da República, existe um marco de correio que é procurado sobretudo por coleccionadores de selos.

Fonte do Parque Natural da Madeira confirmou à agência Lusa que coleccionadores de filatelia solicitam aos vigilantes que levem correspondência para ser carimbada e enviada daquele "serviço dos Correios".

Outros utilizadores deste marco são alguns turistas e tripulações de veleiros que passam naquele local.

O marco do correio foi mais um dos elementos utilizados por Portugal como símbolo de soberania sobre aquele território, tendo sido instalado durante a visita oficial que Jorge Sampaio efectuou na qualidade de Presidente da República, em Abril de 2003.

A demonstração da soberania portuguesa sobre aquele território aconteceu na sequência de um diferendo com Espanha, visto que as Selvagens estão mais próximo de Canárias, tendo acontecido alguns voos de aeronaves sobre as ilhas, pelo que anteriormente, Mário Soares também se deslocou aquela parcela do território.

A primeira mala de correio a chegar das Selvagens foi registada nos Correios do Funchal a 08 de Maio desse ano, contendo 136 postais, sobretudo para a Madeira.

A recolha postal é feita a cada três semanas quando acontece a substituição dos vigilantes do Parque Natural, os únicos habitantes temporários das Selvagens

As Ilhas Selvagens estão localizadas no Atlântico Norte, entre os paralelos 30º 01' 35'' Norte e os 30º 09' 10'' Norte e os meridianos 15º 52' 15'' e 16º 03' 15'' Oeste e têm uma área aproximada de quatro quilómetros quadrados, a 163 milhas da ilha da Madeira (230 quilómetros) e 82 milhas (165 quilómetros) de Canárias, sendo constituídas pela Selvagem Grande, Selvagem Pequena e o Ilhéu de Fora.

Desde 1971 estão classificadas como Reserva Natural Integral, foram também distinguidas com o Diploma Europeu pelo Comité de Ministros do Conselho da Europa e fazem parte dos Sítios de Importância Comunitária na Rede Natura 2000.

Devido à sua biodiversidade, são candidatas a Património Mundial Natural da UNESCO, processo que está "em vias de reformulação para garantir que a candidatura seja sólida, bem sustentada", disse à Lusa o director desta estrutura madeirense, Paulo Oliveira.

Madeira:Presidente da Assembleia da República em missão de soberania e de estudo às Ilhas Selvagens

Funchal, 23 Mai (Lusa) - O presidente da Assembleia da República efectua terça-feira uma “visita de estudo” e “missão de soberania” às Ilhas Selvagens, o sub-arquipélago da Região Autónoma da Madeira que é o território mais a sul de Portugal.

Jaime Gama desloca-se a bordo da fragata da Armada Portuguesa “Bartolomeu Dias” acompanhado por deputados da Comissão de Defesa Nacional da AR, designadamente Júlio Miranda Calha, Correia de Jesus, João Rebelo e António Filipe.

Aquele sub-arquipélago, situado a 250 quilómetros da Madeira e a 165 a norte das Canárias, é constituído por duas ilhas principais - a Selvagem Grande, a Selvagem Pequena e o Ilhéu de Fora - e várias ilhotas, tendo têm uma área total de 273 hectares.

Foram questões relacionadas com a sua constituição e localização geográfica que levaram o estado espanhol a violar várias vezes o espaço aéreo com voos de aeronaves, situação que “obrigou” Portugal a fazer missões consideradas “de soberania” aquela parcela do território.

A sua proximidade com as ilhas Canárias provocou em tempos uma acesa discussão sobre a Zona Económica Exclusiva, tendo Espanha, com base na interpretação de leis internacionais considerado que as Selvagens eram ilhéus pelo que não podem envolver uma Zona Económica Exclusiva de 200 milhas, enquanto que Portugal manteve que eram ilhas.

As Selvagens receberam assim visitas de uma missão do Conselho da Europa (Outubro de 1991), da Comissão de Defesa Nacional em 1997 e deslocações oficiais de dois Presidentes, Mário Soares (1993) e Jorge Sampaio (2003)

Fonte do gabinete de Jaime Gama disse à Lusa que esta visita se integra neste objectivo de reafirmação de soberania, estando também relacionada com o facto de Portugal ter entregue no passado dia 11 de Maio, em Nova Iorque, nas Nações Unidas, a sua proposta de extensão da plataforma continental.

Este projecto português é acompanhado por outros do Brasil, Guiné-Bissau e Cabo Verde que, se for aceite, duplicará a área sob jurisdição portuguesa, estendendo-a até aos 3,6 milhões de quilómetros quadrados.

O governo português considera que este processo “é tão importante como foram os descobrimentos”, classificando-o de “descobrimentos do século XXI”.

Na visita do presidente da Assembleia da República participam ainda o chefe de Estado-Maior da Armada, almirante Melo Gomes e o secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, Manuel António Correia.

Jaime Gama passará o dia naquele local, regressando a Lisboa de avião.

As Ilhas Selvagens são consideradas um pólo de biodiversidade terrestre e marinha e constituem uma Reserva Natural, que integra o Parque Natural da Madeira), criada em 1971, sendo uma das mais antigas de Portugal, galardoada com o Diploma Europeu do Conselho da Europa, fazendo parte dos Sítios de Importância Comunitária na Rede Natura 2000.

Assumem grande importância ao nível da flora - das 105 plantas vasculares distintas, 11 são endémicas - e da fauna, sendo um santuário de nidificação de aves marinhas.

Nestas ilhas existe a maior colónia de Cagarras do mundo, ave que esteve em perigo de extinção, de Calcamares, de Pintainhos, da Alma Negra, Roque de Castro, entre outras, e nelas vivem ainda vertebrados (osga e lagartixa) e insectos considerados únicos daquelas ilhas assim como cardumes de moreias, peixe-cão, garoupa, charuteiras.

As Ilhas Selvagens pertencem ao concelho do Funchal, freguesia da Sé, estão sob a tutela do Parque Natural da Madeira que ali faz permanecer, de 21 a 21 dias, dois vigilantes da natureza, e têm ainda a colaboração do Comando da Zona Marítima da Madeira.

São conhecidas desde o século XIV (cartografia), mas é a Diogo Gomes, navegador do Infante D. Henrique, que é dado como sendo o seu descobridor oficial, entre 1451 e 1456.

Do senhorio de D. Infante D. Henrique, passou para a Coroa, desta para a propriedade privada que se manteve até 1971, data em que foram adquiridas pelo Estado português por 1500 contos.

Em fase de reformulação está também um processo de candidatura das Selvagens a Património Natural da Unesco.

14.5.09

Presidente do Parlamento e os deputados da Comissão de Defesa Nacional
Gama nas Selvagens
O Presidente da Assembleia da República e os deputados da 3ª Comissão, de Defesa Nacional, daquele Parlamento, deslocam-se, a 25 e 26 de Maio, às Ilhas Selvagens. A viagem, confirmada por fonte da presidência da Assembleia da República, acontece, em princípio, a bordo da nova fragata da Armada, a «Bartolomeu Dias», que fez a sua primeira escala em Lisboa há cerca de um mês. A visita da Comissão presidida pelo deputado socialista Miranda Calha, acontece pela segunda vez, tendo em conta que em meados dos anos noventa do século passado, houve também uma deslocação daquela estrutura parlamentar, na altura presidida pelo madeirense Correia de Jesus.
O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama e os deputados da Comissão de Defesa Nacional visitam as Ilhas Selvagens nos dias 25 e 26 de Maio.

Os parlamentares deslocam-se, previsivelmente, a bordo da mais nova fragata da Armada Portuguesa, a «Bartolomeu Dias», que fará a sua primeira «aparição pública» no próximo dia 20 de Maio, Dia da Marinha, que este ano tem as comemorações centradas em Aveiro. 

Apesar de a fonte da presidência do Parlamento liderado pelo açoriano Jaime Gama ter adiantado pouco a propósito do teor da visita, é previsível que esta aconteça pelo facto de, cada vez mais, assumir primordial importância a soberania nacional no extremo sul de Portugal, com as ilhas a serem, muitas vezes, visitadas pelos pescadores espanhóis e mesmo embarcações de recreio. 

De qualquer forma, as visitas, sobretudo as feitas por aviões militares espanhóis, foram assumidas como uma afronta aos interesses portugueses e, sobretudo, regionais, em acontecimentos que levaram, inclusivamente, a reuniões entre os presidentes dos governos regionais da Madeira e de Canárias e depois entre Lisboa e Madrid. 

As Selvagens já receberam a visita de dois presidentes da República e de várias personalidades importantes, como o duque de Edimburgo e do conhecido investigador Jacques Cousteau, que disse que aquelas eram as águas mais límpidas que vira até então.

In: Jornal da Madeira

Nota: Esta visita decorre na sequência de uma sugestão nesse sentido apresentada pelo autor deste blog junto de deputados da Comissão de Defesa Nacional da Assembleia da República sendo que o mesmo não fará parte da delegação da Assembleia da República.

2.5.09



A Zona Económica Exclusiva -

Um Modelo de Gestão


Por: Almirante Alexandre da Fonseca

  1. PRÓLOGO

Queria começar por agradecer à Comissão D. Carlos-100 anos, a oportunidade que me dá de aqui estar, não só para vos falar sobre a Zona Económica Exclusiva, mas também para aprender com tantos especialistas nas temáticas do Mar, aqui em boa hora reunidos, e para o fazer na nossa língua materna.

  1. INTRODUÇÃO

A opinião pública associa a Zona Económica Exclusiva, a ZEE, a uma vasta extensão de mar, que nos pertence, inexplorado, e contendo inesgotáveis riquezas. Esta percepção, não sendo totalmente incorrecta, peca contudo, por ser algo exagerada. As ZEE's são vastas áreas de mar que em costa aberta se estendem das praias até às 200 milhas náuticas, e que no caso português, devido aos Açores e à Madeira, têm uma área 18 vezes superior à terrestre. O estatuto da ZEE não é bem conhecido. Enquanto as águas interiores se equiparam à terra firme e nas águas territoriais apenas há que conceder a "passagem inofensiva" à navegação, a ZEE é uma porção do "alto mar" onde a exploração dos recursos económicos é reservada ao estado costeiro, com as limitações que derivam de direitos de outros. Assim, dizer que a ZEE " nos pertence" induz a ideia da existência de uma soberania, que não corresponde à realidade.

A investigação científica envolve já recursos significativos, mas face à vastidão dos oceanos, à complexidade do meio, às limitações da tecnologia e aos custos associados, existem ainda muitas áreas por explorar. Há mesmo quem refira que  se conhece melhor a face visível da Lua que os fundos do mar...

As riquezas que a ZEE contém são certamente finitas, como a investigação científica claramente nos diz. Daqui resulta o imperativo de introduzir critérios de sustentabilidade na exploração do mar. De resto, muitas destas riquezas serão apenas potenciais, pois a sua exploração não é ainda possível, nem viável.

No que respeita aos recursos vivos, a produtividade do mar está longe de ser uniforme: certas zonas, de fundos baixos, favorecidas por correntes, possuem importantes pesqueiros, outras não passam de vastos desertos...

Porém, se há oportunidades, há também responsabilidades. Importa não esquecer os deveres do estado costeiro- o combate à poluição por ex.- que se traduzem em custos, bem como o facto de que os espaços vazios tendem a ser ocupados, por quem tem mais meios e capacidades. Não basta ter direitos, hverá que exerce-los e quando não existir capacidade autónoma, poder-se-ão negociar parcerias.

Uma gestão eficaz da ZEE implicará assim: definir os seus limites, conhecer as suas potencialidades, possuir um modelo de "governança", dispôr de capacidade empresarial e de tecnologia, fomentar uma aitude de preocupação com a sustentabilidade e edificar um sistema de fiscalização.

  1. OS LIMITES DA ZEE

A convenção de Montego Bay, na Jamaica, fechou os trabalhos da III Conferência das Nações Unidas  sobre o Direito do Mar , iniciados em 1973. Tratou-se de uma conferência de negociação e de codificação, com a participação de mais de cento e sessenta estados. Ao longo de oito anos formaram-se consensos que culminaram na votação do texto definitivo em Abril de 1982. Contudo, a convenção só entrou em vigor após a sexagésima ratificação, em 1994. De qualquer forma, a doutrina da convenção passou, desde 1982, a regular estes assuntos. Portugal ratificou esta convenção em 1997.

De acordo com os artigos 13º e 74º, o limite exterior da zona económica não excederá as duzentas milhas contadas a partir das linhas de base utilizadas para medir o mar territorial, devendo a delimitação entre estados com costas adjacentes, ou  frente a frente, ser feita por acordo entre eles. Ou seja, a partir da linha mediana, equidistante entre o território dos dois estados, negoceiam-se as correcções necessárias para assegurar " equidade" na delimitação; contudo "equidade" é algo de subjectivo...Talvez ainda mais complicado seja o regime das ilhas. O artigo 121 estipula " os rochedos que por si próprios não se prestam à habitação humana, ou à vida económica, não devem ter zona económica, nem plataforma continental"; terão apenas águas territoriais. Esta disposição tem sido, naturalmente, motivo de abundante controvérsia.

O Estado Português, através da lei nº 33/77, fixou os limites do mar territorial em doze milhas e estabeleceu uma zona económica de duzentas milhas. Foram criadas três sub-áreas na ZEE - Continente, Açores e Madeira - e foi referido que, enquanto não existirem acordos com os estados vizinhos, os limites da ZEE não vão além da linha mediana. Curiosamente, não foi então considerada uma "zona contígua" para efeitos de fiscalização, só instituída em 2006.

Também não foram ainda estabelecidos acordos com Espanha e Marrocos. Com Marrocos não se têm registado dificuldades. Já com Espanha, a delimitação no rio Guadiana e no rio Minho segue a linha mediana, uma linha curva, o que traz dificuldades na fiscalização das actividades fronteiriças e já tem originado alguns incidentes. O problema maior contudo, está a sul da Madeira, nas ilhas Selvagens, que Espanha entende não gerarem zona económica. Aqui também já ocorreram alguns incidentes de pesca, fruto da ambiguidade das jurisdições. Acordos na delimitação da ZEE com Espanha e Marrocos, se politicamente possíveis, sem dúvida clarificariam a situação.

A plataforma continental e a sua extensão mereceria certamente aqui algumas palavras, mas será objecto de uma comunicação do Professor Pinto de Abreu, pelo que me abstenho de a abordar.

  1. A INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA

Para tomar decisões acerca de um assunto é necessário conhece-lo; assim, conhecer a ZEE deverá ser uma prioridade. A investigação do mar é um objectivo estratégico para um estado costeiro e deverá ser objecto de planeamento e programação e deverão ser-lhe atribuídos recursos financeiros suficientes. A investigação exige cientistas que é preciso formar, especializar e radicar entre nós. Sabemos que não é fácil, pois há uma tendência natural destes para emigrarem para onde possam trabalhar em melhores condições, tendência esta acentuada pela atitude de algumas instituições de países desenvolvidos que procuram aliciar os melhores talentos. Reforçam assim as suas capacidades e impedem outros de crescer.

Sabemos também que a investigação não é hoje uma actividade isolada: é feita em equipas, em laboratórios, necessita equipamentos, bibliotecas e acesso a redes de informação científica. Só assim, num ambiente propício, se encontram sinergias e a Ciência avança, não esquecendo que os resultados só aparecem ao fim de muito trabalho e de algum tempo.

A evolução tecnológica traz-nos equipamentos cada vez mais caros e sofisticados, necessitando de navios mais diferenciados e de maiores dimensões. A sua operação implica uma logística específica, com realce para a manutenção dos respectivos equipamentos. O moderno navio oceanográfico é uma plataforma muito dispendiosa, quer em termos de aquisição, quer de operação, fazendo todo o sentido que a sua utilização seja cuidadosamente programada. A Marinha Portuguesa dispõe de dois navios - o D. Carlos I e o Almirante Gago Coutinho - relativamente modernos, que têm vindo a ser equipados com sistemas de alta tecnologia. Por outro lado, muitas universidades portuguesas têm já centros de investigação dirigidos para o mar.

Julgo que neste âmbito existem amplas oportunidades de cooperação em língua portuguesa e assinalo que uma das plataformas de eleição para essa cooperação, um dos navios hidro-oceanográficos portugueses se chama, premonitoriamente, D. Carlos I.

  1. A "GOVERNANÇA" DA ZEE

Considerando a vastidão da ZEE poderíamos ser levados a pensar que nela cabem todos, e todas as actividades, simultâneamente. Mas não é assim. A maioria das iuniciativas tendem a concentrar-se  perto da linha da costa, na zona da plataforma continental. Esta zona tem na ZEE do continente uma largura variável, entre as seis e as vinte e cinco milhas, mas é quase inexistente nos Açores e na Madeira.

As actividades passíveis de ocorrer na ZEE são muitas e variadas. Irei lista-las de forma aleatória, e com a certeza de que terei esquecido algumas: o transporte marítimo, os fundeadouros, as actividades portuárias e as marinas, os cruzeiros turísticos, as actividades de recreio, os desportos náuticos, a conservação da natureza e da biodiversidade, a observação de aves e de cetáceos, a  arqueologia subaquática, os diversos tipos de pesca comercial e a pesca lúdica, a aquicultura e os recifes artificiais, a energia eólica "off-shore" e a energia das ondas, a recolha de algas e de fármacos, a prospecção e extracção de recursos geológicos, a passagem e a amarração de cabos submarinos e de oleodutos, a investigação cientifica e tecnológica, os exercícios militares, a biotecnologia, etc.

Torna-se assim, necessário, possuir um modelo político de "governança" da ZEE, que arbitre de modo isento, com oportunidade e eficácia, os conflitos entre estas múltiplas actividades.

A ZEE apresenta-se como algo de transversal,  que interessa a diversos Ministérios; não fará portanto sentido, criar um Ministério do Mar, como já existiu entre nós, sem êxito.

O modelo de " governança" mais interessante talvez seja o francês, que se articula em dois níveis: o do Governo central e o da Administração local. A nível de Governo, existe um Conselho de Ministros especializado, que reune periodicamente; um Secretário-Geral prepara as agendas, acompanha os trabalhos e segue a execução das decisões, tendo acesso directo ao Primeiro- Ministro, que é mantido ao corrente da evolução dos diversos assuntos. A nível local existem os " Prefeitos Marítimos" na dependência directa do Primeiro- Ministro, com autoridade de coordenação das respectivas áreas. Os "Prefeitos Marítimos" são simultaneamente os Almirantes Comandantes Navais, e dispõem nos respectivos Estados- Maiores de representantes das agências estatais, que operam meios no mar.

O modelo português em vigor é muito recente; assim, foi criada uma "Comissão Interministerial para os Assuntos do Mar" presidida pelo Ministro da Defesa e foi aprovada em fins de 2006  a " Estratégia Nacional para o Mar". Por outro lado, a "Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar" criada em 2005, viu as suas atribuições redefinidas no sentido de apoiar aquela Comissão Interministerial. O Secretário de Estado da Defesa e dos Assuntos do Mar tutela esta organização e dispõe ainda de um "Forum Permanente", composto por elementos eleitos e representantes do Estado. A nível local existe a Autoridade Marítima Nacional, acumulando funções com a chefia do Estado Maior da Armada, com poderes de coordenação. Este modelo tem ainda o benefício da dúvida, só sendo razoável avaliá-lo dentro de algum tempo, mas não escondo que gostaria de nele ver um envolvimento directo do Primeiro- Ministro.

De assinalar na Estratégia Nacional para o Mar, o objectivo de promover a ideia da centralidade atlântica de Portugal, afirmando-o comoo País Marítimo da Europa.

Aliás, Portugal foi já recentemente um contribuinte valioso na redacção do "Livro Verde" da Política Marítima da União Europeia.

Recorda-se ainda, que em 2006, foi possível dar início à instalação em Lisboa da Agência Europeia de Segurança Marítima.

  1. A EXPLORAÇÃO DA ZEE

A recolha das riquezas da ZEE implica a existência de capacidade empresarial, de capitais e do domínio da tecnologia adequada. Existem perspectivas de lucros, bem como de muitos empregos qualificados. A criação de uma rede de empresas de apoio e de serviços, um "cluster" marítimo- na feliz acepção de Michael Porter-  permite optimizar os ganhos económicos. Contudo, os empresários não se criam por decreto, e nem sempre existem capitais, nem tecnologia disponível.

Haverá que progredir pela estratégia dos pequenos passos, fazendo desde já aquilo que se sabe fazer bem e para o que existem recursos. Em seguida, ir alargando a área de intervenção, à medida que se vai consolidando a operação das actividades em curso.

Neste âmbito haverá, seguramente, espaço para parcerias e concessões. Não podemos no entanto esquecer, que as empresas visam o lucro; as parcerias e concessões deverão por isso, ser definidas com precisão e a operação dessas empresas terá de ser acompanhada de perto. São assim necessários técnicos especializados, quer para redigir os contratos, quer para velar pela sua execução, que nem sempre existem, na quantidade e com o grau de diferenciação necessários. Abre-se deste modo, outra área de cooperação em língua portuguesa, no âmbito da consultadoria, tirando partido do "know-how" entretanto adquirido por algumas empresas dos nossos países.

  1. A ECOLOGIA E A SUSTENTABILIDADE

Os recursos do mar, os recursos existentes na ZEE, são finitos, como já dissemos. Por outro lado, os oceanos desempenham uma função determinante na regulação do clima do planeta, não só directamente, transferindo calor, como também indirectamente, através da absorção do dióxido de carbono. A poluição com origem em terra constitui mais de 75% da poluição total do mar, produzida pelo Homem, designadamente os efluentes industriais, urbanos e agrícolas, não tratados. A eutrofização é uma consequência, pelo excesso de nitratos, fosfatos e sulfatos, originando a proliferação de algas. Estas, ao entrarem em decomposição, tornam a água pobre em oxigénio, provocando a consequente morte dos peixes. O fenómeno assume importância em certas regiões, como o Mediterrâneo, e está em expansão. A poluição com origem no mar, está ligada à navegação ( derrames acidentais de hidrocarbonetos e descarga das águas de lastro) e à exploração "off-shore" de petróleo e gás. A Convenção de Montego Bay abordou este tema, assinalando ser uma obrigação dos Estados, proteger e preservar o meio marinho.

Fomentar uma atitude de preocupação responsável com a sustentabilidade e a ecologia, prevenindo a poluição e garantindo recursos para as gerações vindouras, será assim algo que o bom-senso e a ética nos mostram ser necessário. Mas não bastam as boas intenções; os estados costeiros têm de promulgar legislação, divulgá-la, detectar as infrações e puni-las.

Será no entanto na alteração das mentalidades que mais se terá de investir: nas escolas e na opinião pública, passando as mensagens adequadas e criando uma atitude de preocupação responsável com os mares. Levará o seu tempo, mas é certamente mais eficaz do que apenas medidas repressivas.

  1. A FISCALIZAÇÃO

Já referimos atrás que não basta declarar direitos sobre a ZEE. Torna-se necessário exercê-los.

Os estados costeiros necessitam ter um sistema de fiscalização, harmónico e equilibrado, que se aperceba em tempo do que ocorre na ZEE, que disponha de vectores de intervenção para localizar e apresar os infractores, e dispositivos legais para os punir.

A prioridade será "conhecer", aperceber-se do que se passa na ZEE, conceito que a NATO baptizou como "Maritime Situation Awareness". Trata-se de estabelecer centros de fusão e correlação da informação, recolhendo tudo o que se relaciona com uma determinada área. Existe um manancial de informação disponível mas que é necessário tratar. As capacidades dos computadores e a tecnologia trazem-nos ferramentas muito úteis neste âmbito. As entradas e saídas dos portos, a informação dos armadores e da "busca e salvamento", os avistamentos e detecções das nossas unidades, a informação de radares costeiros, cadeias VTS e AIS, informações de países vizinhos ou de organizações militares e policiais, tudo deverá ser fundido por forma a obter-se um panorama tão completo quanto possível. A recolha de informação através de satélites é bastante útil, embora tenha custos significativos, admitindo-se ainda nesta actividade o emprego de "RPVs", aviões telecomandados, num futuro próximo.

Os navios, embora possam executar patrulhas aleatórias e procurar os seus próprios alvos, têm um emprego optimizado se forem utilizados de modo reactivo, ou seja, se o comando em terra com base na "Maritime Situation Awareness" lhes der orientações para a fiscalização.

A Marinha Portuguesa inaugurou recentemente o centro de Operações da Marinha, "COMAR", onde se encontram localizados simultaneamente, o Centro de Coordenação de Busca e Salvamento de Lisboa e o Comando das Operações Navais. Este centro está instalado fisicamente em Oeiras junto do "Joint Headquarters Lisbon" da NATO, com quem partilha informação. O objectivo é assegurar a gestão da informação relevante, que posicione o decisor operacional num estado de "superioridade de informação", habilitando-o assim a tomar a melhor decisão. A Marinha tem ainda um projecto em desenvolvimento, designado por SADAP, que assegurará a troca semi-automática de informação do panorama de superfície entre o COMAR e as unidades navais.

Os vectores de intervenção naval são as embarcações e os navios. É desejável que exista um "mix" harmonioso de plataformas com características e capacidades de sustentação diferentes, por forma a optimizar a eficácia e o custo da fiscalização. De assinalar, o recente aparecimento no mercado de embarcações semi-rígidas de médias e grandes dimensões, rápidas e bem equipadas, que com bom tempo têm um raio de acção muito grande e que constituem uma razoável capacidade de fiscalização. Nao será ainda de excluir a utilização de embarcações de pesca ou comércio, montando-lhes armamento ligeiro e com elas executar fiscalização.

Os vectores de intervenção aérea são os helicópteros e os aviões de asa fixa. Estes estão vocacionados para detectar e identificar os contactos e contribuir para o panorama de superfície. Podem também identificar infractores, obter provas fotográficas, alertar os navios de superfície e apoiar as intercepções. Os helicópteros são meios muito versáteis mas com um raio de acção limitado e custos de operação elevados. O seu emprego preferencial é nas actividades de "busca e salvamento".

Porém, não basta apresar o infractor; torna-se necessário levá-lo aos tribunais e obter uma condenação. O estado costeiro deverá ter legislação apropriada, especificando claramente os diversos tipos de infracção e estabelecendo as penas adequadas. As coimas, as multas,  deverão ter um valor dissuasor.

Os interesses em jogo são muito grandes e levam à contratação dos melhores advogados, peritos em encontrar vulnerabilidades no sistema legal. Importa assim, investir também na formação jurídica dos agentes de fiscalização, procurando que os processos sejam elaborados correctamente, e que não se percam causas em tribunal por meras questões processuais.

  1. CONCLUSÃO

Vou terminar. Como julgo ter mostrado, a ZEE será assim um valor económico e uma fonte de empregos e riquezas. Contudo, a sua recolha sustentada implica muito trabalho, planeamento e coordenação.

É uma área onde se abrem oportunidades de parceria ou cooperação, onde uma língua comum e uma proximidade de cultura são facilitadores,  que se sublinham.

Será um investimento pesado, sem dúvida, mas que valerá a pena e dará muitos frutos. Se não for a nossa geração a colhê-los, será certamente a geração dos nossos filhos.


13.4.09

BLOG ILHAS SELVAGENS TAMBÉM REFERIDO NA REVISTA NS DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS DE LISBOA


No reino da blogosfera

por TIAGO SALAZAR

À passagem dos dez anos de vida, a blogosfera portuguesa está ao rubro. Apesar de muitos blogues serem apenas um espaço recreativo, há quem leve a peito a questão informativa e aspire a ombrear com a imprensa,

blogosfera portuguesa ainda não é rival dos media tradicionais ou tem a força de um gigante informativo como o anglo-saxónico The Huffington Post (huffingtonpost.com), mas um dado é certo: há blogues visitados diariamente por milhares de leitores fiéis que os frequentam como quem lê um jornal ou revista. “São lugares mais arejados”, como nos dirá jocosamente uma frequentadora habitual do ciberespaço. A fazer fé nos cliques dos site meters (os medidores de leitura incorporados nos blogues), é já expressivo o índice de visitas de blogues como o líder Abrupto (abrupto.blogspot.com), do colunista e ex-deputado do PSD Pacheco Pereira, com uma média quatro mil visitas diárias e 26 mil semanais, ou o Câmara Corporativa (corporacoes.blogspot.com), onde pontua Miguel Abrantes, reconhecido como um dos actuais blogues de maior influência – por curiosidade, a nível mundial, o campeão dos blogues é o PerezHilton.com, versado em dissecar a vida de celebridades.

Segundo Leonel Vicente, mentor do blogue Memória Virtual (memoriavirtual.net) e estudioso do fenómeno da blogosfera, “cada vez mais os blogues seguem (acompanham, analisam, dissecam, debatem entre si) as notícias; cada vez menos os blogues – a novidade da blogosfera, enquanto forma individualizada de expressão e comunicação – são notícia em si mesmo”. Leonel acredita que mais do que medir forças “se tem vindo a acentuar a tendência de complementaridade e interpenetração entre a blogosfera e a mediaesfera”. Explica o blogger: “Tal é patente, por um lado, com o desenvolvimento do chamado “jornalismo do cidadão”, a par do crescente número de colunistas de jornais revelados nos blogues. Em paralelo, este intercâmbio traduz-se, por outro lado, no contínuo afluxo de jornalistas à blogosfera.”


No início deste ano assistiu-se a um exemplo da derradeira expansão blogoesférica: a chegada ao Twitter (o último grito do impulso da micropublicação e da "publicação instantânea" possível a partir de qualquer telemóvel) de diversos jornalistas e também de deputados e outros políticos. No entanto, acrescenta Leonel, “a blogosfera em Portugal reúne uma ainda pequena família em termos de massa crítica. Ou seja, falta um projecto de produção de conteúdos jornalísticos estruturados com ênfase na vertente informativa”.

Mas a maioria dos leitores e autores de blogues contactados pela NS’ garante usar já a blogosfera(internacional, sobretudo) como complemento aos meios tradicionais de comunicação social. Sobretudo a oriunda dos EUA e da Grã-Bretanha, onde alguns blogues são já alternativa informativa – caso, entre muitos, do blogue líder na ala dos Negócios Estrangeiros do inglês Andrew Sullivan (andrewsullivan.theatlantic.com), lido anualmente por milhões de e-leitores e com médias diárias da ordem dos 143 mil; o portal da inteligentsia de Washington (willwilkinson.net/flybottle), que fornece links para artigos político-económicos de referência em todo o mundo; ou os comentários avisados de política doméstica e internacional de Steve Clemons, mentor da New America Foundation, disponíveis como um vulgar matutino em thewashingtonnote.com.

Caminhará a blogosfera em Portugal para esta esfera de influência em que os blogues ombreiam com os jornais e revistas? – é a questão que se impõe.

“Acho que as organizações políticas, empresas e agências de comunicação têm de estar muito atentas ao pulsar da ‘comunicação orgânica’ que brota cada vez com mais autoridade e para mais público dos canais online. Há muita qualidade na blogosfera que concorre claramente com os meios tradicionais”, afiança o experimentado bloguer João Távora (ex-Corta-Fitas, actual Risco Contínuo).

Por seu turno, Rita Barata Silvério, autora do blogue sobre mundanidades Rititi (www.rititi.com), discorda da autoridade informativa da blogosfera. “Em Portugal, a blogosfera é ainda olhada como uma outra fonte de opinião, não de informação. Funcionam os blogues mais como colunas e assim são encarados os bloggers, como alternativas aos colunistas da imprensa escrita. Esta é a diferença em relação aos EUA, onde os blogues informam e portanto são credíveis e estão à altura dos jornais.

O único blogue que faz informação política é o 31 da Armada, quando acompanha os congressos dos partidos políticos”, afirma. Porém, garante, “é na blogosfera que ainda se encontram as vozes mais frescas, imaginativas e desembaraçadas da escrita portuguesa”. Rita sempre teve público leitor e não viu nos blogues um pasto para o ego. “Graças a Deus sempre tive uma voz, que foi amplificada quando comecei a publicar no blogue. Não escrevo para ser uma ‘figura pública’, mas sim porque acho que tenho coisas a dizer sobre temas que me interessam. Acontece que há gente interessada no que eu penso e por essas opiniões estarem publicadas num meio global e gratuito têm uma grande divulgação. É como falar num café mas com mais gente a ouvir”, esclarece. Entre os blogues que segue com atenção há a mais variada escolha, de moda, política e literatura a homens bonitos e programas de televisão. Por exemplo, o Bomba Inteligente, Controversa Maresia ou Corta-Fitas.


Para Miguel Castelo Branco, que alimenta a solo a partir de Banguecoque, Tailândia, o blogue Combustões (versado sobre arte, política e história), “a blogosfera portuguesa sofreu, ao longo dos anos, uma profunda mudança. Foi inicialmente veículo de sã e despreocupada necessidade de comunicar contornando as barreiras da chamada ‘Imprensa oficial’ e da mais do que duvidosa ‘opinião pública’ por aquela construída, quando essa ‘opinião pública’ se limitava, claro, à opinião que se publicava e aos sempiternos opinadores. Depois transformou-se em arena de enfrentamento ideológico, muitas vezes com recurso à soez agressão verbal e ao insulto pessoal resguardados pelo anonimato”. No que ao seu Combustões diz respeito, recebe diariamente diversos e-mails com comentários, críticas e sugestões. Nota curiosa é o crescente interesse dos decisores políticos pelo conteúdo dos blogues. “Abrindo a lista de visitas, verifico receber diariamente leitores dos ministérios, da Assembleia da República, das câmaras municipais, das embaixadas portuguesas e até dos órgãos da União Europeia”, diz Castelo Branco.

Se os blogues começaram por ser desacreditados pelos políticos, muitos deles não dispensam ter hoje ali a sua tribuna virtual. É o caso do ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes (pedrosantanalopes.blogspot.com) ou do já referido Pacheco Pereira, além de economistas de referência como Pedro Arroja (portugalcontemporaneo.blogspot.com) ou o sociólogo António Barreto, cronista do diário Público e um dos mosqueteiros do blogue Sorumbático – onde pontificam outros nomes conhecidos como Helena Roseta, Carlos Pinto Coelho, Baptista-Bastos, Nuno Crato, Alfredo Barroso, Saldanha Sanches, Galopim de Carvalho, Nuno Brederode Santos, Joaquim Letria, Maria Filomena Mónica, Alice Vieira, Pedro Barroso ou Manuel João Ramos.

Pedro Quartin Graça, do Partido da Terra, deputado eleito nas listas do PSD, é um blogger de primeira linha com vários espaços de intervenção. Para além do seu blogue pessoal (pqg.blogspot.com), é ainda autor do Ilhas Selvagens (ilhasselvagens.blogspot.com) e participa igualmente em blogues colectivos como o muito propalado Câmara de Comuns (camaradecomuns.blogspot.com). O deputado não tem dúvidas em declarar à NS’ que “a blogosfera é o futuro informativo credível. É notória a interligação entre rádio, televisão, jornais e a blogosfera, com a participação frequente e ‘ao vivo’ de bloggers em programas de rádio e de televisão e o aumento de espaço que na imprensa é dedicado às opiniões expressas em blogues”. Curiosamente, recapitula Quartin, “a blogosfera é também um importante palco de recrutamento de jornalistas”. Entre inúmeras vantagens da blogosfera está o facto de ser “um espaço interessante, gratuito e, acima de tudo, livre”. No seu caso, a última funcionalidade que adicionou ao blogue pessoal foi a ligação ao Twitter, o que lhe permite estar em rede em tempo real com dezenas de leitores, naquilo que considera um “valioso serviço público”.

 

João Gonçalves é a alma do blogue Portugal dos Pequeninos (portugaldospequeninos.blogspot.com), no topo dos mais visitados e citados pelos seus pares.

Entrou “nisto” em Junho de 2003, a título de mera curiosidade, depois de se ter apercebido da existência do Abrupto. Só mais tarde verificou que já navegavam verdadeiras “esquadras” blogosféricas como, por exemplo, A Coluna Infame (“falecida” em 2003). Gonçalves prefere “a iconoclastia solitária” e admite que a blogosfera tenha alguma influência “silenciosa”. “Tem-na certamente na ajuda a compor a ‘agenda’ dos media tradicionais, mas nada que se compare aos países onde ela é uma referência. Aqui, tudo é muito pequenino. Até os blogues. Todavia, pressente-se que há alguma atenção dirigida à blogosfera. De tal forma que o próprio poder se socorre dela, por interpostos "anónimos" com ou sem nome, para os devidos efeitos (ou contra-efeitos)”, diz. Para Gonçalves, o blogue é um instrumento de liberdade para “tentar perceber” e não exactamente um “diário” onde se alivia ou pratica “teorias da conspiração”. Quanto ao estatuto dos bloggers, “basta ler os jornais e uma ou outra televisão para constatar a transposição de bloggers para a vida pública embora a inversa seja mais vulgar”.


Francisco José Viegas, jornalista, escritor e blogger pioneiro, alimenta a blogosfera há vários anos. Hoje reconhece-se de certa maneira menos encantado. “Já gostei mais de blogues e já os li mais, logo de manhã. Por vários motivos, continuo a lê-los e encontro-lhes grandes virtudes, a par de coisas dispensáveis (a verdade é que antigamente muitos idiotas andavam anónimos pelas ruas e hoje grande parte deles encontra-se na blogosfera)”, diz, com a sua patibular ironia. Sendo a net barata, acessível e livre, “dá para tudo, para o melhor e para o pior, para a maledicência e para a aldrabice, para as cartas de amor (ridículas, evidentemente) e para a banalização de tudo. É aí que estamos todos”.

Rui Castro, autor do blogue de referência em matéria política Nem Tanto ao Mar (nemtantoaomar.blogspot.com), um dos mais visitados, com médias de leitura acima do milhar, acha óbvia a importância crescente de alguns blogues junto de muitos jornalistas e políticos. “Basta constatar o uso deste meio de comunicação pelos principais candidatos nas principais eleições ocorridas nestes últimos anos”, diz. Entre os blogues políticos que segue com mais atenção destaca, à esquerda, o 5 Dias e o Arrastão. À direita tem uma escolha mais vasta: O Cachimbo de Magritte, Insurgente, Blasfémias, Portugal dos Pequeninos, Mar Salgado, Voz do Deserto ou A Causa Foi Modificada.

Paulo Querido, jornalista freelance e um dos pioneiros da blogosfera (pode ser lido no webzine Certamente em http/pauloquerido.pt), duvida de que por cá se caminhe para a esfera de impacte das congéneres americana, inglesa ou francesa, onde os bloggers rivalizam ou são angariados pela imprensa generalista. “Duvido de que a blogosfera portuguesa venha a ter tanto impacte quanto essas, uma vez mais por causa da massa crítica e da capacidade de investimento da nossa sociedade, que é diminuta. Nem temos umablogosfera particularmente arrojada e desafiante nem temos uns media particularmente propensos, ou abertos, à inovação e à mudança”, diz.


Pedro Vieira, também conhecido por Irmão Lúcia, do blogue de sátira (irmaolucia.blogspot.com) e co-autor do Arrastão, não vê ainda sinais suficientes desse capital de influência. “Já se vai mostrando músculo, os jornais vão citando a blogosfera, criam conteúdos a partir de temas e/ou abordagens amplamente debatidas nos blogues. Há um debate muito mais rico nos blogues, mais sustentado e duradouro, mais ideológico até, numa época imediatamente posterior àquela em que se dava como acabados esses conceitos de esquerda/direita, progressista/conservador, por aí fora”, adianta. No entanto, Vieira duvida de que a esfera de influência cresça até atingir a profissionalização de um Huffington Post (gigante portal anglo-agregador de blogues). “Acho que essa questão está muito dependente da solidificação de um grupo de leitores participativos e exigentes. E de bloggers que estejam dispostos a utilizar o seu tempo livre para produzir matéria-prima relevante. Mais tarde um ou outro poderão profissionalizar-se, na esteira do pretendido com os árbitros de futebol, coincidência que poderá não ser muito moralizadora”, remata o picaresco Vieira.

Uma cronologia selectiva

30.03.1999 – Início do Macacos Sem Galho, de Pedro Couto e Santos, o blogue português mais antigo ainda em actividade

15.10.2002 – Pedro Mexia, João Pereira Coutinho e Pedro Lomba lançam A Coluna Infame, primeiro blogue português de cariz predominantemente político

01.01.2003 – José Mário Silva e o irmão, Manuel Deniz Silva, apresentam o Blog de Esquerda, como contraponto à Coluna Infame

23.02.2003 – Criado o Blogue dos Marretas, por três docentes da Universidade da Beira Interior

27.03.2003 – Paulo Querido cria O Vento Lá Fora, depois rebaptizado Mas Certamente Que Sim!... ou, apenas, Certamente!

02.04.2003 – Carla Hilário de Almeida cria o Bomba Inteligente
25.04.2003 – Ricardo Araújo Pereira, Zé Diogo Quintela, Miguel Góis e Tiago Dores criam o blogue Gato Fedorento, precedendo o programa televisivo

06.05.2003 – Pacheco Pereira inicia o Abrupto

08.05.2003 – Surge um blogue de grande impacte em termos de audiência, de autor anónimo, O Meu Pipi


12.06.2003 – Começa o Desejo Casar, reunindo um alargado grupo, incluindo jornalistas, arquitectos,designers, juristas, argumentistas, filósofos


25.06.2003 – João Morgado Fernandes dá início à publicação do Terras do Nunca, precedendo o French Kissin'


04.07.2003 – Paulo Gorjão inicia a publicação do Bloguítica Internacional, que daria origem ao Bloguítica no final de Outubro


10.09.2003 – Inicia-se o Barnabé, próximo do Bloco de Esquerda, com os colunistas Daniel Oliveira e Rui Tavares, entre outros membros


18.09.2003 - I Encontro Nacional de Weblogs, em Braga, numa organização da Universidade do Minho


22.11.2003 - Vital Moreira, Ana Gomes, Vicente Jorge Silva, Luís Osório e Luís Nazaré são alguns dos fundadores do Causa Nossa


01.12.2003 - Rita Barata Silvério inicia o Rititi


29.02.2004 - Primeira “mega-fusão” da blogosfera portuguesa: Mata-Mouros, Cataláxia e Cidadão Livre dão origem ao Blasfémias, com nomes como os de Carlos Abreu Amorim, Rui Albuquerque, Gabriel Silva, a que se juntaria pouco tempo depois João Miranda


27.10.2004 - A blogosfera é sacudida com o caso Do Portugal Profundo, com a Polícia Judiciária a confiscar o computador do autor do blogue por alegada quebra do sigilo judicial a propósito do caso de pedofilia na Casa Pia


17.05.2005 - Medeiros Ferreira, Joana Amaral Dias e Bettencourt Resendes são alguns dos criadores do Bicho Carpinteiro


30.11.2005 - Paulo Guinote cria o Educação do Meu Umbigo, muito lido por professores


03.01.2006 - Constança Cunha e Sá inicia O Espectro, que contaria também com a participação de Vasco Pulido Valente


24.05.2006 - Daniel Oliveira regressa à blogosfera, com o Arrastão


05.06.2006 - Pedro Vieira dá início aos seus “rabiscos” no Irmão Lúcia


25.11.2006 - Nasce o 31 da Armada, com uma vasta equipa, sob o comando de Rodrigo Moita de Deus e Paulo Pinto Mascarenhas


17.10.2008 - Cisão no 5 Dias, leva à formação do Jugular, em que participam, entre outros, Fernanda Câncio, Inês Meneses, João Galamba, Maria João Pires, Miguel Vale de Almeida e Paulo Côrte-Real.

ILHAS SELVAGENS EM DESTAQUE NA REVISTA DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

SELVAGENS, MAS NOSSAS!

9000-900. Sabia que é este o Código Postal das Selvagens? Para acabar com o desconhecimento sobre a parcela de território mais a sul de Portugal, Quartin Graça criou um blogue, que já é um sucesso.

"Não nos silenciarão na tarefa de divulgação da verdade histórica sobre as Ilhas Selvagens. Custe o que custar". A frase é do líder do MPT, Pedro Quartin Graça e foi publicada num dos comentários do blogue que destina desde o fim do ano passado a este conjunto de ilhas. 

Apesar de não ser madeirense, o deputado da Assembleia da República, eleitos nas listas do PSD, diz-se muito amigo dos arquipélagos e tem um fascínio natural pelas mais desconhecidas, enigmáticas e rudes ilhas portuguesas. Em Setembro do ano passado, teve oportunidade de pisar o solo das Selvagens pela primeira vez. Fê-lo aproveitando uma boleia de 11 horas (por percurso) da Marinha para experimentar a "realidade nua e crua". A visita teve, contudo, muito pouco de turístico, e Pedro Quartin Graça aproveitou para enriquecer com esta experiência a tese de doutoramento, subordinada ao tema 'ilhas Selvagens: Enquadramento jurídico', que conta defender ainda este ano em Madrid. "Não poderia falar sobre um sítio sem nunca o visitar", sublinha ao DIÁRIO. Na memória guarda a caminhada de mais de três horas em escarpa, a colónia de cagarras e as conversas que manteve com Francisco Zino. 

A experiência foi de tal ordem enriquecedora, que o investigador "um autodidacta das novas tecnologias" - como se intitula - decidiu divulgar as ilhas através da blogosfera na página ilhasselvagens.blogspot.com

"É o meu contributo pessoal para tentar acabar com algum desconhecimento em relação ao território mais a sul de Portugal", explica. No blogue encontra-se um pouco de tudo sobre o pequeno arquipélago. Quem por lá passa fica a saber não só a História desta reserva natural, desde a descoberta em 1364, pelos irmãos Pizzigani ao baptismo em 1438 por Diogo Gomes de Sintra. Saberá ainda como é que o território passou da mão de privados para a mão do Estado e curiosidades como o código postal. Não faltam as lendas que falam em tesouros escondidos, nem as últimas teorias de que a ilha perdida de Atlântida é vizinha das Selvagens. 

Espanhóis atentos O blogue tornou-se recentemente parceiro da rede 'Global Island Network', uma Organização Não Governamental que visa unir os ilhéus de todo o Mundo em torno de um desenvolvimento sustentável, procurando reunir esforços na solução de problemas. Quartin Graça não esconde a satisfação por este feito, considerando que se trata de "um sinal evidente do reconhecimento nacional e internacional e do prestígio já adquirido". 

O responsável está contente com a resposta dos internautas e garante que o número de visitantes para um blogue deste género "é bastante significativo". "Temos 75% de visitantes portugueses e 25% espanhóis", declara. O interesse de 'nuestros hermanos' não surpreende o investigador, que lembra que "este é um dos poucos dossiers da nossa diplomacia que permanece aberto". E acrescenta: "O assunto tem estado adormecido, mas não está fechado". Quartin Graça pretende dar o seu contributo e defender com 'unhas e dentes' que o território é mesmo nosso. Na investigação que tem levado a cabo no âmbito da tese académica, diz ter-se mesmo deparado com novas evidências e que os Pizzigani podem não ter sido os primeiros a pisar o solo inóspito. O político não quer desvendar tudo, mas deixa antever que os portugueses foram os pioneiros. E porque é que isso é tão importante? O estado espanhol tem insistido em que a delimitação da Zona Económica Exclusiva (ZEE) se faça ignorando as Selvagens ao considerá-las como ilhéus, tendo por várias vezes violado o espaço aéreo das mesmas com aeronaves militares, enquanto que o estado português insiste na sua classificação como ilhas, ampliando a ZEE portuguesa. Quartin Graça promete não se calar e, até que a voz lhe doa, apregoará que o pequeno tesouro agreste até pode ficar para os lados das Canárias, mas não podia ser mais lusitano, até na forma bravia como impeliu sempre os desejos de povoamento.

12-04-2009 
Sandra Cardoso


11.4.09

IUKEN - ILHAS SELVAGENS PARTICIPA NO MEGA- CONCURSO DA BLOGOSFERA NACIONAL


O Ilhas Selvagens abra hoje uma excepção e fala de um tema diverso da realidade insular. O "IS", não sendo um blog com fins lucrativos, não fica todavia indiferente aquele que é o maior prémio alguma vez atribuido a blogs em Portugal, incluido no maior concurso de sempre da blogosfera portuguesa. 
Trata-se do iuKen, premeia apenas um blog, sendo que o melhor post ganha um prémio no valor comercial de quatro mil euros! A todos os restantes participantes, serão atribuídos prémios, que podem ir até ao valor comercial de 50.00 euros. Veja tudo e confira em: http://iuken.com/blog/escreva-sobre-a-iuken-e-ganhe-400000-euros/

19.3.09

ILHAS SELVAGENS NA REVISTA VEGA

As Ilhas Selvagens fazem a capa da última edição da Revista VEGA que se publica em Lisboa. A foto é de autoria de Arturo Boyra, cientista canário que nos acompanhou na visita que em Setembro passado fizémos àquele sub-arquipélago da Madeira.

3.3.09





Como sinal evidente do reconhecimento nacional e internacional e do prestígio já adquirido por este blog durante os ainda poucos meses da sua existência, o "Ilhas Selvagens" foi recentemente admitido como "Partner" da prestigiada rede internacional GIN - Global Islands Network.

Transcrevemos infra o texto de apresentação da rede (em inglês):

Habitat Scotland, an independent environmental research charity based on the Isle of Skye since 1980, has been responsible for putting forward the whole Global Islands Network (GIN) concept. The origins of GIN can be traced back to 1994 when their Director attended the United Nations Global Conference on the Sustainable Development of Small Island Developing States and the parallel NGO Islands Forum held in Barbados. The Declaration and Programme of Action adopted at the Barbados Conference proposed solutions to problems under 14 priority areas established as being of great concern to small islands. These were further divided into 214 national, regional and international actions, policies and measures that were identified and agreed upon. An immediate major initiative recommended by the Conference was that regional organisations and networks be created to strengthen the ability of small islands to develop sustainably.

In response to this call, Habitat started operating the Skye International Teleservice Centre (SITC) in January 1995 which formed an islands network covering the Baltic, Caribbean, North and South Atlantic. This Centre trained local students for a teleworking vocational qualification and as part of their course work they helped design the SITC website which built up an extensive collection of island links and contacts. As students developed their desktop publishing skills they also assisted Centre staff to produce five issues of the popular 'Islander' magazine which was freely distributed to several thousand people by now connected through an informal network.

In January 1997, following the European Centre for Development Policy Management 10th anniversary seminar, 'An Island Gateway on the Internet: Using the Web to Facilitate Information Exchange on and among Small Islands' held in Maastricht, the SITC became a founder member of the Island Web Consortium (IWC) which was subsequently registered in Washington D.C. as a non-profit corporation. Twelve Directors were appointed and the Director of Habitat was elected President and Chief Executive Officer in August 1997.

As an outcome of local government re-organisation, the SITC closed down in June 1999 and Habitat constructed a new website managed in conjunction with the IWC which was officially launched at the UK Overseas Territories conference, 'A Breath of Fresh Air', held in London that year organised by the Foreign & Commonwealth Office. This site became one of only two official Content Partners for the UN Small Island Developing States network (SIDSnet) as well as being linked to numerous other island networks like the North Atlantic Islands Programme.

Habitat hosted and organised the Islands of the World VI conference in Skye, 15-21 October 2000, on behalf of the International Small Islands Studies Association which attracted 150 delegates from around 40 countries. A day was devoted to island networking where participants emphasised their desire once again for having an effective gateway or portal website on the Internet. As a direct result of this conference, Habitat received financial support from the Lighthouse Foundation based in Hamburg, Germany, to undertake a six month pre-development phase for establishing a Global Islands Network. This included the formation of a Working Group and construction of a demonstration website to illustrate the range of content resource modules that could be made available.

Senior representatives from 15 regional organisations on the Working Group met at the Lighthouse Foundation offices in October 2001 and, after three days of intensive discussions and workshops, a Letter of Intent was signed by all those present agreeing that GIN should be set up as a non-profit body. The Memorandum and Articles of Association that incorporated GIN as a charitable company limited by guarantee were approved and signed at its inaugural Board meeting which took place on 27 June 2002 during the Islands of the World VII conference on Prince Edward Island, Canada. This meeting was followed immediately thereafter with the public launch of the GIN website by The Hon. Jeff Lantz, PEI Minister of Education and Attorney General.

Aims

Our Vision

The Global Islands Network represents a hub that connects and coordinates efforts to help ensure a healthy and productive future for islanders.

Our Mission

The Global Islands Network is a non-profit organisation established in June 2002 to conduct and promote

  • culturally appropriate
  • ecologically sound
  • economically sustainable
  • socially equitable

development on islands worldwide.

Our Objectives

The directors and staff of GIN are committed to advancing the interests of islanders and islands in diverse situations at various levels over time, primarily through electronic communication, but also via face-to-face interactions, print, and other means. Our particular objectives include:

  • Facilitating the capacity of islanders to acquire, disseminate and utilise knowledge resources;
  • Improving access to existing data and generating original information about islands;
  • Providing technical assistance and supporting initiatives which further integrated development on small islands;
  • Encouraging collaborative projects and comparative studies between and among islands;
  • Fostering cooperation by sharing good practices and offering a forum for discussion; and
  • Strengthening the voice of island communities as well as their representatives in intergovernmental and policy making bodies.

How does GIN operate

Around the world on numerous islands, people are sharing their concerns and identifying solutions through association with GIN and our partners.

Islands are characterised by various factors, many of which create barriers to growth and development, such as remoteness and insularity, peripherality to centres of decision making, a limited range of natural resources, specialisation of economies, small markets, narrow skills base, poor infrastructure, vulnerability to natural disasters, degree of exposure to forces outside their control such as climate change and sea level rise, plus often unique but threatened biological diversity.

GIN brings together islanders and partner organisations, comprising amongst others, government agencies, university departments, research institutes, marine laboratories, businesses, companies, NGOs, voluntary bodies and community groups, in a network where they can learn from each others experience, borrowing as well as replicating best practices to:

  • Improve production of renewable energy
  • Minimise waste
  • Introduce efficient public transport
  • Raise standards of water and air quality
  • Adopt integrated coastal zone management plans
  • Create protected areas
  • Safeguard endangered species
  • Control or eradicate alien invasive species
  • Document and maintain biodiversity
  • Promote sustainable tourism
  • Diversify economies to reduce dependence
  • Capitalise on Exclusive Economic Zones
  • Regulate local fisheries
  • Introduce ‘no-take’ marine reserves
  • Preserve traditional island cultures
  • Respect indigenous peoples, languages and customs
  • Foster gender equality
  • Use ITC to better health care and education

The topics listed above are just one way of grouping issues and challenges. Each of these areas is closely linked with the others, and cannot be addressed in isolation. Islands offer the world, in microcosm, some of the clearest opportunities for developing integrated systems of governance and management.