17 de junho de 2011

Velejador madeirense ligou a Madeira às Selvagens

João Rodrigues
Em apenas um pouco mais que dez horas, João Rodrigues cumpriu um sonho de há muito: percorreu 160 milhas náuticas  em uma só etapa, ligando a Madeira às Ilhas Selvagens, numa prancha à vela.

A proeza, em mar aberto, esteve integrada no programa comemorativo do 40.º aniversário da criação da Reserva Natural das Ilhas Selvagens, a primeira reserva natural de Portugal, com a coincidência do velejador olímpico madeirense também completar o seu 40.º aniversário este ano, no próximo dia dois de Novembro.

A travessia foi apoiada pelas Secretarias Regionais do Ambiente e Recursos Naturais e da Educação e da Cultura, organismos que consideram um contributo para a projecção da região a nível internacional.

Previsivelmente, seriam expectáveis cerca de doze horas para cumprir tão árdua tarefa, mas as enormes capacidades do desportistas, aliadas as umas condições climáticas favoráveis, entre as quais não poderá ser dissociado o factor vento, permitiram essa superação de cerca de duas horas em relação ao estimado.

João Rodrigues, nascido a dois de Novembro de 1971 em santa Cruz, na Madeira, transporta consigo um vasto e rico currículo. Campeão e vice-campeão do Mundo de Prancha à Vela, em 1995 e 2008, tetra-campeão Europeu, o madeirense conta com 121 internacionalizações e 51 medalhas conquistadas em competições internacionais - 22 de Ouro, 16 de Prata e 13 de Bronze.

Nesta fase, prepara-se, também, já para a sua sexta participação olímpica, Londres'2012, depois das presenças em Barcelona'92, Atlanta'96, Sydney'2000, Atenas'2004 e Pequim 2008. No futuro imediato, João Rodrigues será ainda o rosto do Campeonato Europeu 2012, a realizar-se na baía do Funchal, no próximo mês de Março.

«Foi um sonho que cumpri»

Logo após concretizar a travessia, João Rodrigues exprimiu as suas palavras de satisfação.

 «Foi um sonho que cumpri. Está feito... não imaginava que fosse possível», disse então o velejador madeirense que, pese o esforço despendido, denotava uma boa disposição que, de resto, é seu apanágio. Depois, João Rodrigues agradeceu, «em primeiro lugar às pessoas que me acompanharam no bote. Foi muito difícil também para eles, que começaram a sofrer logo à saída do Caniçal». De seguida, exaltou que «quero também agradecer as todas as pessoas que me deram a oportunidade de fazer isto».

Em relação à especificidade da travessia, reconhece que «foi muito complicado. Foi mais difícil do que eu esperava». Disse ainda que depois de percorridos 70 quilómetros, «o mar começou a entrar forte e pensei, pela primeira vez, que se calhar não iria conseguir completar a travessia». Mas a sua experiência e o seu grande espírito de sacrifício conseguiram ultrapassar essas enormes dificuldades, criadas por algumas adversidades climáticas. Mesmos assim reconhece ainda que «os últimos 60 quilómetros foram sempre em sofrimento». Acrescentou também que «por causa do tempo, a embarcação não conseguiu sempre me acompanhar e separa-mo-nos por mais que um vez», sendo necessário reduzir a velocidade para tudo se compor.
«Um privilégio estar presente neste momento histórico»

As ilhas Selvagens são um pequeno arquipélago no território da Região Autónoma da Madeira, estando mais perto das Canarias (165 quilómetros a norte) do que da ilha da Madeira.

Este pequeno arquipélago é constituído por duas ilhas principais (Selvagem Grande e Selvagem Pequena) e outras ilhotas de origem vulcânica, tendo uma área total de 273 hectares.

É considerado um “santuário para aves” e tem como “habitantes” temporários apenas os guardas do Parque Natural da Madeira. Foi declarado reserva natural nacional em 1971.

A Reserva Natural das Ilhas Selvagens faz parte integrante do Parque Natural da Madeira, que tem como director Paulo Oliveira que, através da página daquele organismo no facebook, deixou o seu testemunho elogioso a João Rodrigues, bem como aos restantes elementos que estiveram perto do velejador nesta "aventura".

«Dizer que o João é feito daquela matéria de que os sonhos são feitos é um lugar-comum. Ele personaliza o que de melhor se pode encontrar num ser humano e nesta “casa” ficámos todos mais ricos por termos tido o privilégio de estar presente neste momento histórico para ele e para a Reserva Natural das Ilhas Selvagens. Foi também um privilégio, e um factor de conforto emocional, saber que aqueles que o acompanharam também são feitos de uma fibra muito especial. Neste momento dirijo uma palavra de gratidão e de muita admiração para o Joaquim Barata da Silva, o João Marques, o António Gouveia, o Henrique Seruca, o Aleixo Pestana (que acompanharam a todo o momento o João), o Elvio Rodrigues, o Elvio Pereira e o Pedro Fernandes (que o acompanharam à distância na embarcação Buteo). A todos o meu mais elevado reconhecimento», conforme se pode ler no texto assinado por  Paulo Oliveira.
Alerta. Com o feito inédito de ontem, João Rodrigues, procura, também, divulgar o património natural português e chamar a atenção para o trabalho de conservação desenvolvido pelo Parque Natural da Madeira nas suas várias reservas naturais, assim como para a vastíssima biodiversidade das Ilhas Selvagens, superior, por exemplo, ao encontrado nas ilhas Galápagos.

Apoio. João Rodrigues foi acompanhado no pelas embarcações “Freira-do-Bugio do SPNM e pelo navio patrulha da Marinha Portuguesa “Cacine”. A dar apoio, já mais perto das ilhas Selvagens esteve o veleiro “Búteo”, numa medida de prevenção que permitiria a sua recolha, caso as condições não permitissem a sua continuidade, algo que viria a se revelar desnecessário. No regresso, João Rodrigues viajou no “Cacine”.


Chegada. João Rodrigues entrou na Selvagem Grande através da rampa de acesso a terra na Baía das Cagarras, sendo recebido pelos vigilantes do Parque Natural da Madeira, que também festejaram a inédita proeza do velejador madeirense, concretizada em pouco mais de dez horas.

Travessia mais longa em prancha à vela numa só etapa

Entrada no Guinness World Records
Com o feito de ontem, João Rodrigues fez história ao tornar-se a primeira pessoa a fazer a travessia entre a ilha da Madeira e as ilhas Desertas, o ponto mais a Sul do território português. O madeirense - o atleta português com mais presenças em Jogos Olímpicos - ganhou também o direito de ver o seu nome inscrito no "Guiness World Records" como a travessia mais longa jamais conseguida em prancha-à-vela (windsurf), numa só etapa. O velejador partiu logo ao nascer do Sol do Cais da Lota no Caniçal e navegou ao longo de 160 milhaS náuticas - cerca de 296 kms - sem parar, cumprindo percurso, em pouco mais de dez horas.
«A travessia entre ilhas faz parte do dia-a-dia de qualquer ilhéu. Em tempos idos, seria uma questão até de sobrevivência, mas actualmente os transportes marítimos banalizaram aquelas que eram verdadeiras epopeias marítimas. Esta travessia entre a Madeira e a Selvagem Grande, é o concretizar de um sonho acalentado há vários anos a esta parte mas que visa também reviver a mais antiga forma de viajar no mar: ao sabor do vento»

João Rodrigues


Currículo
João Rodrigues

Nascimento: 2 de Novembro de 1971 (39 anos)

Naturalidade: Santa Cruz, Madeira

Habilitações: Licenciatura em engenharia mecânica, pelo Instituto Superior Técnico, 1995

Profissão actual: Assessor Técnico do Gabinete do Secretário Regional de Educação e Cultura

1980 Inicia-se na vela aos 9 anos de idade

1982 Participa pela primeira vez em competição regional

1987 Primeira internacionalização

121 Internacionalizações

51 Medalhas em competições internacionais: 22 de ouro, 16 de prata e 13 de bronze


Classe RS:X a partir de 2005


Jogos Olímpicos

2008 - 11.º Pequim, China

Campeonato do Mundo

2010 - 14.º Kerteminde, Dinamarca

2009 - 6.º Weymouth, Inglaterra

2008 - 2.º Auckland, Nova Zelândia

2007 - 4.º Cascais, Portugal

2006 - 14.º Torbole, Itália

Campeonato da Europa

2009 - 5.º Tel-Aviv, Israel

2008 - 1.º Brest, França

2007 - 5.º Limassol, Chipre

2006 - 14.º Alcati, Turquia

Taça do Mundo ISAF

2009 - 1º


Classe Mistral 1993 - 2004


Jogos Olímpicos

2004 - 6.º Atenas, Grécia

2000 - 18.º Sidney, Austrália

1996 - 7.º JAtlanta (Savanah), EUA

1992 - 21.º Barcelona, Espanha

Campeonato do Mundo

2003 - 4.º Cadiz, Espanha

2002 - 8.º Pattaya, Tailândia

2000 - 10.º Mar del Plata, Argentina

1999 - 14.º Noumea, Nova Caledónia

1998 - 3.º Brest, França

1997 - 4.º Perth, Austrália

1996 - 18.º Haifa, Israel

1995 - 1.º Port Elizabeth, África do Sul

1994 - 14.º Winnipeg, Canadá

1993 - 15.º Kaswiazaki, Japão

Campeonato da Europa

2004 - 6.º Sopot, Polónia

2003 - 3.º Mondello, Sicília, Itália

2001 - 6.º Marselha, França

1997 - 1.º Múrcia, Espanha

1996 - 1.º Nice, França

Campeonato Nacional

15 vezes campeão


Classe Raceboard

Campeonato da Europa

1994 - 1.º Murcia, Espanha

Campeonato do Mundo

2009 - 2.º Masters, Weymouth


Classe Funboard

1997 - 1.º Campeonato nacional

In:  Netmadeira
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